"Não devemos aceitar sem qualificação o princípio de tolerar os
intolerantes senão corremos o risco de destruição de nós próprios e da
própria atitude de tolerância." (Karl Popper)
A Câmara dos
Deputados foi vítima de brutal vandalismo por cerca de 300
manifestantes ligados ao Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST),
uma dissidência do MST liderada por um petista. Vidros foram quebrados,
paus e pedras foram jogados e funcionários foram agredidos, um deles
indo parar na UTI. O grupo é o mesmo que havia invadido o prédio do
Ministério da Fazenda no ano passado. A lista de crimes perpetrados
pelo MST e seus similares é longa, incluindo até seqüestro. Pouco tempo
atrás, um laboratório da Aracruz foi destruído. Seus líderes, que
deveriam estar atrás das grades, não apenas perambulam soltos por aí,
como são recebidos por autoridades governamentais e agraciados com
generosas verbas federais. O crime, no Brasil, compensa.
O
Estado de Direito é fundamental para qualquer avanço da civilização.
Países desenvolvidos costumam contar com um forte império da lei. A
impunidade é o maior convite ao crime. Como, então, esperar que a
barbárie seja combatida no Brasil quando o partido no governo é antigo
aliado dos bárbaros? Tanto o PT como o MST participam juntos do Foro de
São Paulo, ao lado de Fidel Castro. Miguel Rosseto, que foi ministro do
Desenvolvimento Agrário de Lula, é grande entusiasta do movimento.
Tarso Genro já declarou que o PT e o MST têm entre si uma identidade de
fundo. A sede do PT gaúcho, que sofreu acusações de ter sido comprada
com o dinheiro do jogo do bicho, foi transferida para a Via Campesina,
ou seja, para o MST. A Petrobrás, durante a gestão Lula, contribuiu com
propaganda para uma revista ligada ao MST. Lula chegou a declarar que a
relação entre o PT e o MST era uma relação entre pai e filho. O
presidente, que tem a obrigação de preservar a lei, veste o boné dos
criminosos. Fica complicado confiar no Estado para a manutenção da
ordem desse jeito.
Apesar de todos os crimes bárbaros
realizados pelo MST, ainda tem quem acredite tratar-se de um movimento
social. Nada mais falso. No fundo, o MST busca apenas o poder. E seu
poder vem aumentando muito com o passar do tempo, graças à complacência
estatal. Não devemos esquecer que a complacência de hoje é paga com a
angústia de amanhã. E se ela persiste, com o sangue de depois de
amanhã. A caótica situação colombiana deveria ter ensinado esta lição.
O presidente Álvaro Uribe foi reeleito justamente por representar uma
ação mais dura contra os terroristas e traficantes das FARC. Há muito
tempo se sabe que o MST é apenas um embrião das FARB, Forças Armadas
Revolucionárias do Brasil. O recrutamento de militantes vem crescendo
de acordo com o aumento de repasse de verbas para o movimento. As
invasões, que tanto prejudicam o progresso nacional, são financiadas
pelo próprio governo, que auxilia até mesmo na sua logística. Maior
inversão de valores é impossível.
O império romano sacudiu com
o vandalismo dos bárbaros hunos. Átila conseguiu incutir terror na
civilização mais avançada da época. O Brasil não é Roma. Nossas
instituições são frágeis ainda, e nosso império da lei é capenga. Nem
mesmo os "mensaleiros" estão presos. A impunidade é total. E o governo,
que deveria garantir a ordem, flerta ideologicamente com o lado de lá,
além de tentar desarmar os cidadãos de bem. Como se defender nessa
situação? Será que nos resta apenas ficar à espera dos bárbaros?
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