“Pretender que a empresa tenha uma 'função social' outra que produzir
melhor e mais barato o que os consumidores desejam
é não só um
paradoxo: é uma farsa.” (Donald Stewart Jr)
Quase
simultaneamente, saiu tanto a lista nova dos bilionários da Forbes
quanto o resultado de 2005 da Gol. A família Constantino, acionista
majoritária da empresa e infelizmente sem grau de parentesco comigo,
emplacou quatro membros de uma só vez entre o time dos indivíduos com
mais de um bilhão de dólares de patrimônio. Por outro lado, a Gol
apresentou lucro acima dos R$ 400 milhões, um crescimento espetacular
vis-à-vis o ano anterior.
A Gol representa um caso clássico do
sucesso do empreendedorismo. Mesmo com as barreiras de um país muito
pouco liberal, exemplificado pela forte concentração de poder no DAC,
órgão estatal que cuida do setor o qual a Gol atua, a empresa foi capaz
de sair do nada e chegar a quase 30% de fatia de mercado em poucos
anos. Realizou tal feito por ser mais eficiente na prestação de
serviço, e criar valor para os consumidores. Foram cerca de 13 milhões
de pessoas transportadas pela Gol em 2005. As tarifas são menores, e
isso permite economia por parte dos clientes. Tem promoção de até R$ 50
por passagem, permitindo que gente que nunca voou possa fazê-lo. Há uma
criação de riqueza no processo, graças à iniciativa do empreendedor.
Alguns,
normalmente vítimas da visão marxista, dirão que há exploração do
capitalista, que se apropria da “mais-valia”. Mas isso é uma enorme
falácia, fruto de uma mentalidade ex post facto, que ignora toda a
dinâmica do processo. Ora, não havia Gol há poucos anos atrás. Qualquer
empresa poderia se aventurar no setor, conforme certas exigências. A
Varig, ineficiente como uma estatal, vinha deixando espaços a serem
ocupados. Constantino vislumbrou tal oportunidade, e se articulou para
organizar o empreendimento, que necessita de capital, capacidade
administrativa, coragem, conhecimento etc. O resultado foi uma nova
empresa agradando mais os consumidores, criando valor para eles através
de preços menores. A retribuição para o sujeito que tornou isso tudo
capaz foi o ticket de entrada no rol dos bilionários da Forbes. Nada
mais justo. Não há exploração alguma.
Outros reclamam da
concentração de renda. Mas isso parte da premissa absurda de riqueza
estática, como se bastasse decidir como esta será dividida. Falso. A
riqueza é constantemente criada. E se for criada através do livre
mercado, com trocas voluntárias, é justo que aquele que possibilitou
sua criação receba boa parte dos seus frutos. Será que o bilhão de
Constantino é muito se comparado ao valor criado para os consumidores
por sua empresa? Tirar seu bilhão e distribuir criaria apenas mais um
miserável, e não teríamos a Gol ou novas empresas essenciais para os
consumidores. Riqueza nova não seria mais criada, e o mundo seria todo
igualmente miserável. Basta entender que riqueza não é algo finito e
estático para se admirar tais empreendedores. Concentração em si não é
um mal. Quantos são como o Pelé no futebol? Ou como Einstein na física?
Indivíduos ilustres sempre beneficiaram as massas.
Pensar
diferente é ser invejoso, ou não entender nada sobre o funcionamento
dos mercados. Inveja é um sentimento mesquinho e terrível, que não leva
a nada. Ignorância tem cura, através do conhecimento. Portanto, não há
motivo algum para alguém honesto intelectualmente condenar o bilhão de
Constantino. Ele é merecido. Não foi tirado à força de ninguém, como
ocorre com os impostos. Foi fruto de um golaço!