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Resumos e revisões curtas

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O Fator Exógeno

por : BarbaraTavora    

Autor : Rodrigo Constantino
Defensores do governo petista – e eles ainda existem – têm focado
bastante em números da economia, comparando a era
FHC com a era Lula.
Creio que o foco míope na árvore os impede de enxergar a floresta. Na
verdade, a melhora em alguns indicadores econômicos vem quase toda de
fora. O país surfa na onda de liquidez e crescimento mundial. No
governo Lula, temos coisas boas e coisas novas. Entretanto, as boas não
são novas, e as novas não são boas. O que permitiu o aproveitamento do
vento externo foi justamente o PT ter ignorado tudo que sempre pregou
na macroeconomia. Sem ousar neste campo, esquecendo o que sempre
defendeu, ao menos não prejudicou tanto as vantagens provenientes de
fora.
A acusação mais injusta que fazem a FHC é a de
“neoliberal”. Maldade com os liberais! FHC combateu a inflação, mas não
através do corte abrupto de gastos públicos, receita liberal, mas sim
com o aumento do endividamento estatal e da carga tributária. Mas
justiça seja feita, seu governo enfrentou graves crises internacionais,
como a da Ásia, Rússia, LTCM, Y2K, Argentina e Nasdaq. Que tal
compararmos esse ambiente hostil com o contexto mundial em que Lula
“governou”?
O mundo nunca passou por uma fase tão próspera
assim. São várias as causas, como a entrada da China e Índia no mercado
globalizado, liquidez abundante no Japão, revolução tecnológica etc. O
resultado é um crescimento econômico mundial acima de 4% ao ano por
vários anos seguidos, sem pressão inflacionária. Os países emergentes
apresentam números ainda melhores, crescendo cerca de 6% por ano. O
promissor BRIC, que junta Brasil, Rússia, Índia e China, vai ainda
melhor, com o Brasil na lanterna. A China cresce perto de 10% ao ano. O
Brasil tem que melhorar para ficar medíocre. Consegue ganhar do Haiti,
e olhe lá! Mas ainda tem petista que comemora isso.
A balança
comercial brasileira virou, apresentando elevado superávit. Novamente,
nenhum mérito de Lula. Não foram as suas viagens para o Gabão ou Cuba
que possibilitaram tal virada, mas sim a elevação dos preços das
principais commodities que exportamos, como o minério-de-ferro. O CRB,
índice de uma cesta de diferentes commidities, saiu de 200 pontos em
2002 para mais de 350 atualmente, uma alta de 75%. A China merece
grande mérito por isso. O governo Lula, nenhum. Pelo contrário: seu
governo contribuiu bastante para o aumento de invasões dos criminosos
do MST, gerando instabilidade no agronegócio.
Falam da queda nos
juros internacionais pagos pelo governo brasileiro também. Agora
escutamos até petistas falando no tal “risco país”, antes tratado como
um bicho estranho usado por engravatados de Wall Street para criticar
as propostas heterodoxas do então candidato a presidente pelo PT. De
fato, o risco país despencou. Os títulos do Brasil negociam perto de
220 pontos base acima dos títulos do governo americano. Uma beleza,
ainda mais se comparado aos 2.000 pontos que atingimos em 2002. Na
verdade, era mais para perto dos 1.000 pontos no final do governo FHC,
mas o próprio risco Lula fez o risco disparar. Depois voltou a cair,
quando viram que Lula não seria na verdade o Lula que sempre havia
sido. E iniciou uma forte trajetória descendente. Mérito de Lula?
Complicado defender tal tese quando vemos que o risco da Turquia, que
também chegou aos 1.000 pontos em 2002, está hoje abaixo dos 200
pontos. A média dos mercados emergentes, que chegou a bater nos 900
pontos em 2002, está abaixo dos 180 pontos atualmente. O spread dos
títulos de high yield, de empresas americanas mais arriscadas,
desabaram de 1.100 pontos base em 2002 para perto de 300 pontos hoje.
Enfim, se Lula é a causa da drástica redução do risco país, ele merece
o lugar de santo, não de presidente. Afinal, trata-se de um milagre ele
ter feito o risco do mundo inteiro cair tanto!
Poderíamos
continuar ad nauseam aqui refutando cada falso argumento que os
petistas usam para enaltecer o governo Lula. Isso para não falar do
fator ética, totalmente ignorado mesmo com o “mensalão” comprovado.
Como os petistas não têm mais como se agarrar nessa bandeira,
totalmente esgarçada pelas traças do poder, partem para o “rouba mas
faz”, focando nos avanços econômicos. Acontece que esses avanços, muito
aquém do potencial, não são mérito algum desse governo. Suas causas
podem ser encontradas em fatores exógenos.
Os petistas terão que
martelar apenas no quesito economia nas próximas eleições. Seria útil
que os eleitores tivessem, portanto, maior conhecimento sobre o que
ocorreu de fato. A esperança dos petistas é a ignorância popular - além
da compra de votos com o assistencialismo populista, claro. Os fatos
jogam contra o PT, e por isso os petistas fogem tanto deles. Nosso
presidente já está no mundo da lua, considerando a saúde brasileira
perto da perfeição. Veremos nas eleições o quanto alienado encontra-se
o povo brasileiro.
Publicado em: maio 18, 2006
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