“Quem poupa o lobo, mata as ovelhas.” (Victor Hugo)
O povo
brasileiro ficou estarrecido com a afronta dos criminosos
no último fim
de semana, quando ataques orquestrados mataram vários policiais e
feriram inocentes em São Paulo. A sensação de insegurança é total - com
razão. O Estado é grande demais onde não deveria e falha naquela que é
sua função primordial. Os cidadãos de bem viraram reféns dos bandidos.
Há uma completa inversão de valores, onde as pessoas honestas vivem
aprisionadas e os malfeitores assumem o controle da situação. É chegada
a hora de uma reação mais enérgica sobre a questão da segurança.
A
principal causa da violência está na impunidade. Quando o crime
compensa, e os riscos de punição são baixos, temos um convite ao crime.
Há um fator cultural por trás disso, que permite esse clima de baderna
generalizada. A mentalidade “humanitária”, pregando a igualdade de
todos os homens, independente de seus valores e atitudes, chuta a
estátua da Justiça, cuja balança deveria servir para emitir um
julgamento objetivo dos fatos. O altruísmo, ao pedir que a vítima
ofereça a outra face, contribui para a injustiça. Justiça, afinal, é a
virtude de julgar objetivamente o caráter e a conduta dos homens e agir
de acordo, garantindo a cada homem aquilo que ele merece. Quando alçam
a compaixão acima da justiça, quando pedem para não julgarmos de forma
a não sermos julgados, estão acabando com qualquer chance de justiça. A
recompensa e a punição devem fazer parte do código de ética que
pretende ser justo.
A crença em um determinismo qualquer, seja
genético ou social, como se o indivíduo não tivesse o poder da escolha,
o livre-arbítrio, retira a responsabilidade das pessoas e inviabiliza
qualquer julgamento. Se não há escolha não há ação moral ou imoral. A
neutralidade moral condena o bom e enaltece o mau. Abster-se de
condenar um torturador é o mesmo que tornar-se cúmplice na tortura de
suas vítimas. Um homem merece de outros aquilo e tão-somente aquilo que
ele faz por merecer. O homem inocente não clama por misericórdia ou
compaixão, mas por justiça. Ele quer aquilo que lhe é devido. Enquanto
a reação das pessoas ao malfeitor for amolecer, dar a outra face ou
culpar fatores exógenos por sua atitude, seu crime jamais irá cessar.
Muitos
colocam a culpa da criminalidade na miséria. Esse materialismo é uma
afronta a todas as pessoas pobres de bem, ou seja, a grande maioria. A
honestidade não depende da conta bancária. Vemos muitos políticos ricos
que roubam cada vez mais, enquanto pobres trabalhadores dão duro de
forma honesta. Se a miséria fosse a principal causa da violência, a
maior ameaça à paz mundial viria da Etiópia, não do rico Irã. Os
ataques terroristas, por exemplo, não são financiados por um mutirão de
famintos, mas por ricos como Bin Laden, que usam inclusive muitos
jovens de classe média. Todos que aproveitam o caos da violência para
logo sacar o termo vago “justiça social” deveriam lembrar que seus
eleitores humildes não saem por aí matando policiais do nada. Os
eleitores deveriam lembrar disso também, para não serem vítimas de um
golpe populista. Quando alguém falar que a pobreza é que causa a
criminalidade, o leitor humilde deve se perguntar se seria capaz de
matar um policial ou uma criança.
Vários desses defensores da
tal “justiça social” são, na verdade, defensores do crime. São aqueles
que pregam soluções milagrosas e “igualdade social” ao mesmo tempo que
sempre tomam o partido dos culpados. São os políticos que defendem os
“direitos humanos” sempre objetivando eximir de culpa os criminosos.
São os que preocupam-se apenas com os “coitados” dos assassinos,
ignorando a dor das vítimas inocentes.
Devemos lembrar que para
o triunfo do mal, basta que as pessoas de bem nada façam. A
complacência com os algozes é paga com o sangue das vítimas. Se o
Brasil pretende ser um país mais justo, devemos dar um basta à
impunidade. Direitos humanos sim, mas para os humanos direitos. Para os
bandidos, a punição.