Gotas de sangue de uma estátua
urgente investiga a obra Água viva, de Clarice Lispector,’ na medida em que aceita sua escrita
como uma afirmação indefinidamentedo
presente. O quaro-livro-poema se costura pelo viés da linguagem e todas as suas potencialidades, desde a individuação como registro de nova presença, em tempo e espaço; passando pela capacidade de socialização até a fusão entre sujeito e objeto, para atingir o silêncio, que é a impossibilidade de representação do real. Nesta ocasião, a escritura transcende e alcança total liberdade expressiva, fissurando os enquadramentos do que vinha sendo feito pela literatura brasileira. Buscando o intervalo entre o silêncio e a palavra (entre-lugar) – onde tece enovelados do que se passa atrás do que está atrás do pensamento – encharcado de instante-já está o presente, prolongado indefinidamente.