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1. Se algo de que o acusam e tentam condena-lo, mesmo que Sócrates saiba que não é justo para consigo, ele não vai ceder e/ou concordar com algo que vai contra os seus ideais ou valores, por medo de morrer.
2. “Não existe nenhum homem que conserve a vida se se opõe a vós de uma forma nobre, e se tenta impedir que ocorram na cidade muitas coisas injustas e ilegais. Mas é necessário que quem está interessado em lutar pela justiça, se que viver algum tempo o faça como um particular e não ocupando-se dos negócios do estado.”; “Quando quisestes julgar em conjunto os dez generais que não tinham recolhido os mortos da batalha naval, procedimento injusto que depois todos reconhecestes. Fui eu o único dos prítanes a opor-se a vós.”; “Entendi que devia expor-me ao perigo com a lei e a justiça e não apoiar-vos nas vossas deliberações injustas por medo da prisão ou da
morte.”; “Quando se instaurou a oligarquia, os Trinta mandaram-me chamar à Tholos, juntamente com mais quatro cidadãos, e ordenaram-nos que fossemos a Salamina buscar Leon, natural desta ilha, para lhe dar morte (...) preocupava-me acima de tudo com o facto de nada praticar de injusto e de ímpio. De facto, aquele governo, apesar de ser tão violento, não conseguiu forçar-me a cometer, devido ao medo, uma injustiça. (...) E talvez tivesse perdido a vida, se o governo não tivesse sido derrubado depressa.”
3. Sócrates recusa-se a chorar e lamentar o que fez, evocando a sua família para obter o perdão, como muitos já fizeram aquando julgados no tribunal. Para ele, demonstrar tal fraqueza, embora não julgue nem condene quem o faz, vai contra os seus princípios e demonstra cobardia para com aquilo em que acreditamos. Diz, também, que subjugar-se a tal é perder a reputação e a honra, o que seria vergonhoso.
4. Tudo o que Sócrates fez enquanto filosofava não podia prejudicar ninguém e, portanto, apenas fez o bem; quem não quisesse seguir os seus conselhos não era obrigado a ouvi-los. Então, se fez o bem, e mesmo assim é julgado e condenado, então a pena que receber terá de ser de acordo com o que fez.
Ser exilado, pagar uma multa não tendo dinheiro, abandonar a filosofia ou ficar logo preso remetem sempre para ser escravo dos guardas da prisão e aceitar isso como pena não o leva a lado nenhum. Viver no descanso e longe, por sua vez, também não era aceitável visto que a sua missão imposta pelo Deus era filosofar e, assim, estaria a contrariá-lo.
A atitude filosófica prende-se à essência do Homem como ser dotado de saber/inteligência; ela procura o que é justo e certo para o Homem segundo os contextos, situações e atitudes e não aquilo que está imposto e escrito em leis, sem possibilidade de análise, estudo e objecções.
A atitude filosófica aqui implicada mostra-nos que há que observar a analisar o Homem para poder compreendê-lo, pois cada Homem é um mundo diferente que se governa, funciona e age de formas diferentes e, assim sendo, um homem serve de exemplo de estudo para futuros acontecimentos e nele é possível observar as diferentes dimensões e visões do conceito de ser humano, de acordo com valores, ideais, mentalidades e compreensões: o que é justo, verdadeiros, normal, real ou moral, e o que não o é!
5. Sócrates não teme a morte e aceita-a, pois mesmo que seja a sensação de nada ser (sono perpétuo) ou o emigrar para um outro lugar, ambas as visões da morte serão um benefício. Ele vê a sua acção como honrosa porque utilizar qualquer meio (porque existe sempre algum) para fugir à morte é vergonhoso e, por isso, não é difícil evitar a morte, mas sim evitar que os demais façam o mal. Porquê?
A maldade é mais rápida a actuar que a morte e, quando alguém pensa em fazer o mal não há como evitar que o faça, mas para evitar a morte há sempre um meio, mesmo que seja desonroso de cobarde. E, como diz Sócrates, os seus acusadores foram tomados pela mais veloz: a maldade.
6. A missão divina de aconselhar os concidadãos (atenienses) a reconhecer e serem capazes de observar que a sabedoria humana é temporal e vai sendo construída aos poucos. Sócrates "persegue" os seus concidadãos e diz-lhes que devem cuidar do seu intelecto.
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