Ficamos estarrecidos com a notícia de que existem 44 mil voluntários muçulmanos na lista de candidatos a
homens-bomba. E
muitas vezes nos perguntamos, que ideologia é essa? Que força move esses
homens e mulheres a atentar contra a própria vida, em nome de uma causa? Parece impossível que exista um exército de suicidas em potencial dispostos a transformarem seus corpos em pó na primeira esquina, por um ideal ao qual não terão a menor chance de ver realizado. Mas eles existem e engrossam as fileiras de heróis anônimos de um mundo subdesenvolvido e sem perspectiva, onde sobreviver é uma ordem.
Os homens bombas estão espalhados por todo o planeta, germinados no caos de nações miseráveis e sem esperança, órfãos de ideologia e mergulhados na revolta e no ódio coletivo. Globalizaram o mundo e unificaram o poder, a aldeia está dominada por meia dúzia de caciques, que comandam os destinos de uma humanidade desatinada. Os homens bombas brasileiros estão na fila desde os 7 ou 8 anos de idade, às vezes nem suportam o peso das armas que carregam, mas também estão dispostos a dar a vida por aquilo em que restou-lhes acreditar. As favelas brasileiras são como os desertos, onde as burcas dão lugar aos gorros pretos, e tanto os muçulmanos quanto os brasileiros, não estão na fila de homens-bomba por uma ideologia, mas pela falta dela.