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Resumos e revisões curtas

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Shvoong Home>Livros>The power of life

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The power of life

por : ManuelGuedesMartins    

Autor : Manuel Guedes Martins
Havia sido plantado a mando da câmara municipal junto de minha casa, mesmo em frente da janela em que as desgraçadas das
moscas prenhes da quente euforia do estio, indiferente e rapidamente davam lugar a lixo orgânico por via de um jogo de mãos miúdas mas incrivelmente precisas.
Tão raquítico era no começo que me lembro de até ter comentado o desplante dos funcionários camarários em colocar tão enfezado espécime de plátano logo ali junto de outras árvores já senhoras na idade e nos atavios.Não me parecia bem.Se queriam ali uma árvore que plantassem coisa que se visse.De maior e de melhor substância.Sempre ficaria mais conforme.Mas...eles é que sabem.São eles que têm os livros!
Foi-se o tempo passando e eu não dava sequer pela presença daquele ser vegetal. Até que um dia...!
Bom! Até que um dia, ao chegar a casa e antes mesmo de direccionar o carro para a entrada da garagem, o insólito fez-me virar a cabeça para o lado direito...
- Ohhhh...que é isto...? Exclamei ao ver a parte superior do coitado do plátano caída no passeio e dependurada por uma nesga do caule que se encontrava quase completamente decepado.
Fora de mim e ainda dentro do carro comecei a insultar quem tão estupidamente tinha estacionado em cima do passeio e, quero crer, sem intenção bateu na pobre árvore tendo-a degolado.
A ferver de raiva meti o carro na garagem e...ainda aos impropérios contra os imbecis deste mundo, aproximei-me e - lembro-me como se fosse hoje - com o carinho de uma mãe e a solicitude de uma enfermeira apanhei um bom bocado de terra, amassei-a nas partes feridas deixando lá uma boa parte,peguei no caule quase todo separado, juntei-o à parte inferior e com a ajuda da minha mulher envolvi ambas as partes numa tira de ráfia apertando-as fortemente com um laço,juntei-lhes uma tala e reapertando tudo novamente,ficou o meu, agora querido plátano entregue à sua vontade de afrontar o sol, as nuvens, as outras árvores e, se calhar ainda mais alguns cabrões.
Dei parte aos vizinhos e - quero crer - que tal deu resultado pois nada mais semelhante aconteceu. A indignação a colher louros.
Escusado será dizer que doravante andei de olho nele. O coração apertava-se-me sempre que chegava a casa com receio de o ver esmorecer na sua luta pela vida.
Todos os dias ia verificar o sítio da ferida.Parecia-me que a coisa estava a ir bem, pois que a cicatrização se mostrava perfeita.
Passaram-se meses e o rapaz - quer dizer - o plátanozito convalescia cada vez melhor.A minha mulher não acreditava como é que uma coisa tão destroçada como tinha visto pudesse sobreviver tão vigorosamente.
Eu andava mais leve.Sentia-me muito bem.Tinha consciência de que tinha sido imprescindível àquele plátano.Éramos cúmplices. De jornada.E nada podia mudar isso.
Mais uns meses se foram na voragem do tempo e ele não deixava de corresponder às expectativas.
Estava bem mais alto.Da cicatriz havia ficado uma protuberância que lhe emprestava um ar de madureza tal que até parecia ostentá-la com vaidade.
Aproximou-se o senhor inverno e as folhas começaram a cair. Ficou feio.Mais feio que os vizinhos.
Foi quando resolvi pregar-lhe uma partida.Numa altura em que tão orgulhoso se mostrava no seu porte de espécime seleccionado e acarinhado.
Agarrei uma tesoura de poda e comecei a trabalhá-lo.Cortei quase cerce todos os ramos mais baixos de molde a deixar criar uma copa densa e harmoniosa.Ficou como um pau seco espetado em estéril e árido monte .
A minha mulher e os vizinhos desancaram-me.Que eu tinha assassinado a árvore.Que teria sido melhor deixá-la morrer quando foi decepada...etc..etc..etc!
Foi o tempo andando, mas nunca andava tão depressa como eu queria.Só que eu, sem nada dizer, ia vendo pequenos rebentos a sairem do caule. A furarem aquela pele rija em busca do sol.Rebentos que iam crescendo dia a dia.
E com o coração cheio entrava em casa!
Uma manhã em plena primavera, com a minha mulher à janela digo:
- Repara na nossa árvore e nas dos vizinhos...!
Exibindio-se contra o mundo, com todo o potencial de uma folhagem densa, com promessas de mais e mais grandeza, o plátano das minhas canseiras - e de amores também - arregalou-lhe a vista e fê-la exclamar:
- Aiiii....! Olha! Olha que não parece a mesma....e...tás a ver..As dos vizinhos pareciam mais ramudas e folhosas e...!?!!! - Ahhh.. que bonita que ela está....!!!
Como que a rir para nós e com a brisa a ajudar dava a impressão de nos querer acariciar os rostos com as suas folhas largas como pratos.
Foi então que a sorrir lhe tocámos e como que saídos de um conto de fadas dezenas de pardais, até então escondidos por entre a cerrada folhagem, irromperam pela janela dentro, para, de imediato, desaparecerem no etéeo azul.
Apeteceu-me sair e beijar o plátano.
Não o fiz logo, porque havia gente na rua.Mas aquela cicatriz, naquela noite - creiam - recebeu um beijo como eu já não dava havia muito tempo!
Publicado em: março 26, 2006
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