O oxigénio foi identificado como
elemento químico em 1774 por Joseph Priestley, um dos responsáveis pelas fundações da química moderna durante o século XVIII. Para identificar o oxigénio, Priestley utilizou duas lentes de vidro para focar a luz do
sol sobre um frasco contendo óxido de mercúrio: este composto assim aquecido pelo astro solar “libertou” bolhas de um gás “gerador de
vida”. A atribuição da descoberta do oxigénio a Priestley deve-se, fundamentalmente, ao facto de ter sido ele o primeiro a compreender estar na presença de um elemento que fazia parte, entre outros, do ar que respiramos. A ele também é atribuída a identificação de outros nove gases diferentes, dos quais só três eram até então conhecidos. A identificação do oxigénio, ou “ar deflogisticado” como inicialmente foi designado tendo em conta a teoria dogmática da época, foi muito importante na história do desenvolvimento da química,
uma vez que permitiu, entre outras coisas perceber, como se disse, que o ar não era em si
um elemento único, mas sim composto por várias substâncias. Relembro que os Gregos clássicos consideravam o ar como um elemento e esta concepção foi dominante durante milénios. Há alguns indícios de que os chineses já sabiam no século XIII que o ar não tinha uma “natureza simples e, curiosamente, Leonardo da Vinci (1452-1519) terá identificado primeiramente que “uma parte” do ar tinha um “papel importante” na combustão. Como muitas vezes acontece em ciência, outros antes de Priestley teriam já “tropeçado” no oxigénio (para além de o terem respirado sempre!), mas por terem interpretado os seus resultados de forma diferente ou por não terem divulgado a descoberta atempadamente, não ficaram com os louros da descoberta. Foi o caso do químico sueco Scheele que hoje se sabe ter obtido oxigénio puro a partir de nitratos e de outros métodos, entre 1771 e 1773, mas que só divulgou a sua descoberta em 1777. O entendimento sobre a verdadeira natureza do oxigénio deve-se, contudo, ao grande químico francês Antoine Lavoisier (1743 – 1794) que, a partir dos trabalhos de Priestley e Scheele, caracterizou este elemento de uma forma quantitativa. Lavoisier é referido muitas vezes como pai da química moderna por ter sido ele o primeiro a basear as suas conclusões nos resultados das suas experiências de uma forma “puramente” quantitativa. Apesar do seu génio, deve-se a ele o baptismo impróprio deste elemento. Baseando-se exclusivamente nas suas observações experimentais, verificou que alguns elementos quando combinados através da combustão com o oxigénio geravam compostos que se “comportavam” como ácidos. Assim, generalizou que o oxigénio era um constituinte fundamental de todos os ácidos, o que hoje sabemos estar incorrecto. Por exemplo, o ácido clorídrico (que é um ácido forte) não possui oxigénio na sua composição. Fundamentado nesta fatal generalização, Lavoisier utilizou as palavras gregas “oksys” e “gen” que significam respectivamente “ácido” e “gerador”, para construir a palavra oxigénio (gerador de ácidos) e é por este nome que o designamos desde então. O oxigénio é o elemento mais abundante na crosta terrestre uma vez que está presente num grande número de minerais e na molécula de água (H2O). Cerca de 61 % da massa do nosso corpo é devida à presença de oxigénio. É o terceiro elemento mais abundante do nosso Sol, estando envolvido num dos processos responsáveis pela produção da energia solar (ciclo carbono-nitrogénio).
Mais sinopses sobre Oxigénio parte II