O elemento flúor, que tem F por símbolo químico, é o mais reactivo de todos os elementos conhecidos possuindo
uma grande “avidez” por electrões (é muito electronegativo). O nome flúor advem do latim “fluo” que significa “que corre”. Esta designação provem do facto de se utilizar
um composto de flúor (o fluoreto de cálcio) como dissolvente. Sabemos que em 1670, uma “receita” contendo “Esmeralda da Boémia” (que hoje sabemos tratar-se de fluoreto de cálcio) era utilizada para aplicar gravuras em vidro. Em 1860, George Gore conseguiu produzir um pouco de flúor através da electrólise (utilização de corrente eléctrica para separar compostos nos seus elementos) de uma solução de ácido fluorídrico, mas o aparelho utilizado explodiu assim que o flúor produzido reagiu com o hidrogénio produzido no eléctrodo oposto. O químico francês Henri Moisson conseguiu em 1886 finalmente isolar o flúor elementar, através do melhoramento da electrólise efectuada por Gore: utilizou um aparelho com eléctrodos feitos de uma liga de platina e irídio e adicionou fluoreto de potássio à solução aquosa de ácido fluorídrico de modo a facilitar a passagem de corrente. Moisson estudou e caracterizou as propriedades do flúor tendo conseguido liquefazer e solidificar o flúor. Recebeu em 1906 o prémio Nobel pelo seu trabalho. O gás de flúor, que apresenta uma cor amarelo pálido, é extremamente corrosivo e reage praticamente com todas as substâncias orgânicas e inorgânicas. O flúor está largamente distribuído em vários compostos na crosta da Terra (camada mais superficial do nosso planeta que ocupa cerca de 1,6% do volume total da Terra e é constituída por rochas no estado sólido) mas não se conhecem depósitos suficientemente ricos de minérios que o contenham de modo a que a sua exploração seja economicamente viável. Os principais minerais de flúor são a criolite, a fluorapatite e a fluorite ou fluoreto de cálcio (CaF2) sendo este último o mais importante. As suas aplicações ocorrem na indústria do aço, na produção de ácido fluorídrico e criolite (que também possui inúmeras aplicações industriais). Até à segunda Guerra Mundial não havia produção comercial de flúor elementar, mas o projecto da bomba atómica e o desenvolvimento de aplicações de energia nuclear tornou necessária a produção de grandes quantidades de flúor. Isto porque os diferentes isótopos (átomos de um mesmo elemento, que têm o mesmo número protões, mas diferente número de neutrões e que possuem propriedades químicas idênticas mas propriedades físicas diferentes) de urânio podem ser facilmente separados através da difusão do gás hexafluoreto de urânio (UF6). O flúor é ainda utilizado no fabrico de compostos orgânicos fluorados que possuem diversas aplicações, como são os casos de plásticos resistentes a temperaturas elevadas (teflon), líquidos refrigerantes, aerossóis, pastas dentífricas e vários produtos farmacêuticos. O flúor, principalmente na forma de ião fluoreto (F-) é provavelmente essencial para os humanos assim como o é para certos moluscos. Um homem com 75 kg de massa corporal possui cerca de 2,8 g de flúor. Contudo, o flúor é um gás extremamente tóxico e a inalação de grandes quantidades pode causar asfixia assim como várias lesões nos pulmões. O contacto de flúor em grandes concentrações com a pele causa queimaduras tão intensas que se assemelham àquelas causadas pelo calor. Compostos inorgânicos de flúor são muito solúveis em água e são tóxicos se ingeridos mesmo em pequenas quantidades (um grama de fluoreto de sódio pode ser uma dose fatal). Mas em doses moderadas contribui para a redução da cárie dentária uma vez que torna o esmalte dos dentes relativamente imune aos ataques bacterianos. Na presença de flúor, os grupos hidroxílo da hidroxiapatite (principal material constituinte do esmalte dentário) são substituídos por átomos de F o que aumenta a sua resistência ao ataque ácido bacteriano. Hoje, na maioria das cidades temos a presença de flúor na água potável da rede pública, o que constitui uma acção preventiva com benefícios para a saúde pública, mas que exige um constante monitorização dos níveis devido à referida elevada toxicidade do flúor.
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