O ÁTOMO NAS SUAS APLICAÇÕES - PARTE II
Resultados interessantíssimos forma obtidos no campo da agricultura, submetendo-se às radiações as sementes das mais variadas plantas, para se obterem tipos de vegetais, ou para melhorar a qualidade das plantas mais comuns. Parece, por exemplo, que as batatas “tratadas” com os rádio-isótopos se transformam em sua essência, aumentando notavelmente seu conteúdo de açúcar, tanto que, no futuro, será inútil recorrer-se às beterrabas para obter esse alimento fundamental, pois será suficiente extraí-lo das batatas radioativizadas. Foram alcançados, também, tomates de novo tipo, uvas com os bagos sem sementes ou uma nova espécie de aveia, refratária a qualquer moléstia. Tais efeitos se obtêm preparando as plantas para submeter-se às radiações, dentro de sulcos em forma de círculo, em cujo centro é colocada uma fonte de cobalto radioativo.
Mas outras transformações da natureza podem ser obtidas com a cisão do átomo, e estas se referem diretamente à própria estrutura atômica da matéria. Na natureza, existe, ao todo, 92 elementos diferentes, que constituem todas as substâncias existentes na terra (ferro, cobre, ouro, cálcio, etc). Pois bem, bombardeando-se (com os aceleradores de elétrons) os átomos, obtêm-se elementos novos, ou seja, substâncias que antes não existiam na natureza e que eram denominados elementos “transurâncios” (isto é, elementos “além do urânio”), que é o último elemento da série dos que se conhecem. Os elementos transurânico, porém, além de serem fortemente radioativo, têm vida breve, pois se consomem rapidamente, ao emitir radiações. Além disso, já se pode, outrossim, reproduzir as transformações que ocorrem no espaço interplanetário, onde os terríveis raios cósmicos, quando ferem um átomo, o desintegram, libertando partículas novas, denominadas “mesons”. Foi justamente o grande Fermi quem obteve, em laboratório, os mesons, bombardeando, com núcleos de hélio, um alvo de carbônio.
O elemento químico que pode dar os melhores resultados na produção de energia é o hidrogênio, ou melhor, uma espécie de hidrogênio, com átomo mais pesado com respeito ao hidrogênio normal: o “deutério”; pode-se obter um núcleo de deutério em cada seis mil núcleos de hidrogênio comum, e o hidrogênio comum encontra-se na água. De um litro d’água, pode-se obter, com este sistema, tanta energia quanto for necessária para fornecer 400 litros de petróleo, e tudo isso com custos infinitamente menores. O problema mais complicado que se deve resolver é, sem dúvida, o dos aparelhamentos onde se verifica a cisão nuclear, aparelhamentos que devem suportar altíssimas temperaturas (no laboratório inglês de Harwell, os cientistas que trabalham ao “sol artificial” têm alcançado temperatura de milhões de graus centígrados ...) e que devem, outrossim, evitar que as radiações atômicas, perigosíssimas para o homem, possam atacar pessoas. Por esse motivo, hoje, não seria ainda possível construir um automóvel atômico, dado que se deveriam empregar, pelo menos, cinqüenta toneladas de metal para conter as radiações.
Contudo, esses problemas são muitos secundários, e certamente se encontrará a maneira de resolvê-los. Mas é também muito certo que o átomo fornecerá energia à Humanidade para todas as suas sempre crescentes necessidades. Dentro de alguma as dezenas de anos, a eletricidade poderá difundir-se por todo o globo, chegando até às terras mais abandonadas e atrasadas, e levando, a preços baratíssimos, o benefício da civilização por toda parte, ao passo que as fábricas, os meios de transportes, todos os ramos da técnica, mesmo nas mais modestas aplicações, poderão utilizar-se da infinita potência que se oculta no íntimo da matéria.
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