Desde há várias décadas que o Macaco Rhesus tem sido utilizado para efectuar vários estudos bioquímicos e biomédicos, intoleráveis de realizar directamente nos seres humanos por razões éticas, morais e outras… Desde a descoberta do factor Rh, cujo conhecimento e identificação salvou muitas vidas humanas (complicações com transfusões sanguíneas, nascimentos, etc.), às actuais experiências com as vacinas para a SIDA, passando pelas investigações comportamentais e sobre desordens neurológicas, devemos a este nosso “primo” evolutivo (a nossa linha evolutiva separou-se do rhesus há 25 milhões de anos) a possibilidade de o conhecimento adquirido pela ciência com ele nos ter salvo a vida, a algum dos nossos familiares ou conhecidos. Agora, o Macaco Rhesus entra para a galeria dos seres vivos que o homo sapiens estudou com as suas técnicas de sequenciação genética actuais e mediáticas: o seu
genoma foi sequenciado e publicado na revista Science (Science, 316 . 222 - 234 (2007).). Este Macaco do “Velho Mundo” junta-se, deste modo, ao Chimpanzé e ao próprio Homem na lista de genomas de primatas sequenciados. Isto é um marco importante, uma vez que, apesar do seu genoma ser idêntico ao do Homem só em 93% (o do Chimpanzé é similar em 98%), é agora possível ter um ponto de comparação genético (uma espécie de zero genético relativo!): se os cientistas encontrarem uma diferença num gene de “interesse” entre o Homem e o Chimpanzé, podem verificar qual dos dois genes é o mais antigo por confronto com a sequência encontrada para o mesmo gene no Macaco Rhesus. Por outro lado, conhecendo agora estas distâncias genéticas, as indústrias farmacêuticas e a investigação biomédica poderão afinar (e potenciar) a rapidez no desenvolvimento de medicamentos mais eficazes nos humanos, abreviando anos ansiosos de testes e triagens (e alguns não sei quantos milhares de Euros a menos!). Também a investigação de algumas doenças humanas poderá ter avanços inesperados! Mas, talvez as consequências mais galvanizantes deste avanço sejam aquelas que nos poderão permitir descortinar o que é que aconteceu geneticamente, no seio dos primatas, nos últimos 25 milhões de anos e levou ao aparecimento da espécie humana no caldeirão turbilhante da evolução...
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