É muito grande a pressão que existe pró-aborto, principalmente por parte das mulheres. Teriam elas o direito de vida e morte sobre o ser que estão concebendo? Devemos investir no direito do pleno desenvolvimento de um ser que já existe, ou devemos fechar os olhos à triste realidade dos crimes cometidos contra os mais fracos - sejam velhos, doentes ou crianças?
Ao considerarmos o aborto a interrupção de uma vida, duas questões se colocam: que vida é essa e onde ela começa? Diante do problema, Aristóteles dividiu o conceito de vida em três estágios:
O da vida nutritiva, comum a todos os seres vivos, que no caso humano já existe quando o sêmen, diante da coagulação sanguínea feminina, produz um embrião;
a vida sensível, partilhada pelos homens e outros animais, menos pelos vegetais;
a vida racional, quando, depois de 40 dias da concepção para o homem e 90 dias, para a mulher, o racional entraria no embrião.
Para Aristóteles é a presença concomitante das três formas de vida que nos permite afirmar a existência de um ser humano.
O cristianismo, através de São Tomás de Aquino, incorporou as idéias do filósofo, mas, pela impossibilidade de a ciência precisar o momento da entrada do racional no embrião, a Igreja optou por considerá-lo pessoa humana desde a fecundação, o que passou a ser a base da doutrina oficial católica.
Embriões e fetos
Recentemente, manipular embriões em laboratório permitiu descobrir que eles não são um simples agregado de células, mas que é possível saber, vinte e quatro horas após a fecundação, como as células vão se diferenciar. Séculos se passaram e não temos como determinar onde se inicia a vida, o que esquenta a discussão ética e jurídica sobre a utilização de embriões - aqui, fora do útero - pela ciência.
Alguns autores, extremamente contrários ao aborto, consideram que não há diferença entre um embrião, um feto ou um recém-nascido, como podemos verificar na opinião de J. Harris: Eu espero que tenhamos alcançado o ponto no qual ficará claro que os recém-nascidos, os bebês, os neonatos têm, qual seja, o status moral dos fetos, embriões e zigotos. Se o aborto é justificável, também o é o infanticídio.
O aborto e o coito interrompido são os métodos de controle de natalidade mais utilizados principalmente nos países mais pobres, como é o caso da América Latina e África. Logicamente, o coito interrompido, pela ineficiência do método, leva um maior número de mulheres à gravidez indesejada e, conseqüentemente, ao aborto, perpetuando o problema.
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