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Neurotoxinas: arma bioquímica para presas e predadores!

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Autor : AP et al.
Resumo de : Esperancinha
Visitas : 538  palavras: 600   Publicado em: dezembro 03, 2007
Manter a funcionalidade dos canais iónicos sensíveis ao potencial transmembranar nas membranas das células excitáveis, como sejam os neurónios, é condição essencial para uma boa e eficiente transmissão de informação molecular de umas células para outras. Isto é muito importante para a transmissão dos impulsos nervosos desde o cérebro até aos nervos periféricos, passando ou não pela medula espinal. Existem inúmeros exemplos de compostos (e mesmo de elementos como alguns metais pesados como o chumbo) que interagem com aqueles canais interferindo na propagação dos impulsos nervosos. No geral, esta interacção bloqueia especificamente um mais tipos dos canais iónicos interrompendo a evolução sequencial no fluxo de iões sódio, potássio, cálcio e cloro, do interior para o exterior celular e/ou vice-versa, que ocorre no espoletar de um potencial de acção e na continuidade da sua propagação desde o corpo celular até às extremidades dos axónios onde ocorre os processos sinápticos. A evolução fixou em alguns animais a potencialidade de utilizar cocktails venenosos constituídos por substâncias que interagem com os canais iónicos. E esses animais utilizam-nos quer para fins de defesa contra predadores quer como agentes de predação permitindo a paralisia da presa. Vamos dar de seguida dois exemplos. O veneno do Conus geographus, uma espécie de caracol marinho, contém um cocktail de peptídeos e outros compostos (conotoxinas), entre os quais alguns que bloqueiam os canais de sódio sensíveis à voltagem, interrompendo a transmissão dos potenciais de acção nas células nervosas. Este efeito provoca paralisia e foi adaptado por estas espécies como estratégia para imobilizar presas muito mais velozes. No exemplo oposto, foi muito estudado o caso do peixe bola. Quando em perigo, este peixe expõe espinhos que podem injectar no atacante uma toxina, a tetrodotoxina ou TTX. Esta molécula, uma neurotoxina usada para fins de defesa, interage com os canais de sódio sensíveis à voltagem, bloqueando a entrada do canal e impedindo a entrada de sódio e, consequentemente, o início ou propagação de um potencial de acção. Estes conhecimentos permitiram o desenvolvimento de alguns fármacos, por exemplo anti-epilépticos, que actuam sobre canais de sódio sensíveis à voltagem de modo semelhante à TTX, podendo actuar no entanto em regiões distintas do canal. Estes fármacos impedem que o sódio atravesse os canais, levando à inibição da propagação do potencial de acção e consequente diminuição da hiper actividade das redes neuronais.

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