Existe no coração um conjunto de células cardíacas diferenciadas que formam o que se denomina por nódulo
sinusal. Deste emanam vias celulares, colectivamente designadas por tecido de condução, que propagam sinais eléctricos a regiões distintas do coração. Desta forma é possível coordenar a contracção sequencial dos diferentes compartimentos do coração, para que o sangue passe das aurículas para os ventrículos e destes para artérias, quais portas de saída do sangue para todo o corpo.
A frequência destes impulsos é
determinada pela despolarização espontânea da
membrana das células do nódulo sinusal. O
potencial de acção assim gerado é então propagado a outras células e ao longo do tecido de condução até aos músculos dos diferentes compartimentos do miocárdio. Podemos caracterizar o potencial de acção de uma célula do nódulo sinusal em quatro fases. A fase 0 é caracterizada por um influxo rápido de cálcio através de
canais de cálcio sensíveis à voltagem. Isto causa uma variação do potencial de membrana desde -90mV, o seu valor de repouso, até cerca de +30mV. Na fase 1 observa-se a activação de uma
corrente transiente através da membrana, devida à expulsão de iões potássio e cloro, o que repolariza a membrana para valores de potencial próximos dos zero mV. Segue-se uma repolarização mais lenta do potencial formando um patamar na curva do potencial de acção e que caracteriza a fase 2. Esta fase é importante para que o músculo tenha tempo para relaxar, e é determinada por um balanço delicado entre fluxos de iões para fora e para dentro da célula através de canais específicos. O influxo de iões cálcio desempenha um papel importante nesta fase. A fase 3 é a da repolarização, a qual repõe o potencial de membrana nos seus valores de repouso e é determinada por um
fluxo de iões potássio para o exterior celular. Alguns milisegundos depois regista-se uma corrente designada por If, resultante do fluxo de iões sódio para dentro e de iões potássio para fora da célula. Este fluxo de iões ocorre através de um canal específico designado por f, e é responsável pela observada despolarização diastólica espontânea das células do nódulo sinusal. Esta despolarização caracteriza a fase 4 do potencial de acção e é responsável pela regulação da frequência cardíaca. É importante referir que esta corrente é influenciada por estímulos, como o simpático e o parassimpático, que modulam alguns canais iónicos, principalmente os de cálcio.
Mais sinopses sobre Frequência Cardíaca