) VALORIZAR AS FAVELASA idéia: Cidades não se resolvem só com parques, pontes e viadutos - as
pessoas e a auto-estima que elas sentem por morar ali são questões de segurança pública. Gostar do bairro e da vizinhança diminui os índices de violência. Quando os
moradores são apegados à região onde moram, eles reagem às ações criminosas, por menores que sejam.
"Para ter moradores satisfeitos, a cidade precisa transmitir a sensação de segurança entre estranhos. Quem não se sente ameaçado na região onde vive luta com mais disposição para continuar onde está", diz o filósofo colombiano Hernando Gómez Buendía, diretor do Informe Nacional de Desenvolvimento Humano.
Onde já deu certo: Na década de 1970, o bairro novaiorquino do South Bronx foi resgatado pelo design. "Os moradores ganharam casas mais bonitas, que aumentaram de preço no mercado. Com isso, passaram a valorizar mais sua região, a respeitar as autoridades e a delatar os criminosos", diz o designer urbano Philipp Rode, da Inglaterra.
Outra coisa que ajudou, no caso, foi a instalação de um tribunal de pequenas causas dentro do bairro, que começou a julgar com rapidez casos menos graves de vandalismo.
Na favela do Petare, em Caracas, na Venezuela, os ginásios esportivos foram restaurados e passaram a ser usados pelos moradores nos fins de semana. Mas o caso mais bem-sucedido vem de Bogotá.
A capital da Colômbia reformou e coloriu as favelas e criou gincanas com direito a prêmios. Os bairros competem entre si pelo título de área com menor índice de violência. Uma vez por ano, a prefeitura promove dias em que só os homens podem sair de casa, e em outros só as mulheres: ganha a turma que tiver menos ocorrências policiais. Resultado: em 10 anos, Bogotá derrubou o número de mortes violentas pela metade.