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Shvoong Home>Ciência>Biologia>Índios - BARBIE E IOGURTE

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Índios - BARBIE E IOGURTE

por : CarlosRossi    

Autor : Carlos Rossi, Mega Arquivo
Também a família de Fátima Benides, com 12 pessoas, está na penúria. Eduardo, o marido, como os vizinhos, não tem trabalho.
O terreno onde moram mal acomoda a casa. "Não dá para plantar nem um pé de milho", explica. O filho mais novo, Alexandro, 1 mês, aconchega-se no colo de Andréia, 10 anos, que deveria estar na escola. "Com tanta criança, é difícil controlar quem vai à aula", diz a mãe. Pode ser essa a razão de terem sido cortados do Bolsa-Família, que exige comparecimento para assegurar aos beneficiados 95 reais por mês. "Comemos porque pedimos esmola na cidade", conta.
A influência do centro urbano é enorme. As crianças de Fátima têm o cabelo oxigenado, uma falou em desejo de tomar iogurte, outra em ter uma Barbie, sinais de que os índios foram perdendo suas tradições e incorporando as mazelas da periferia pobre e violenta onde são inseridos. O uso de álcool e de drogas ali é alto, as tensões levam a conflitos. Nos três dias em que a reportagem esteve na aldeia, ocorreram dois assassinatos. Os autores estavam embriagados.
Há índios que perdem os benefícios para usurpadores. Na Jaguapiru, o capitão Renato Souza (capitão é uma espécie de prefeito eleito pelos moradores) denuncia: "Alguns bolicheiros ( pequenos comerciantes ) buscam os velhos e as viúvas em casa para que comprem só nas suas bodegas. Ficam com o cartão do INSS ( que vale um salário mínimo ) e dão em troca umas sardinhas".
Os índios relatam que os bolicheiros enterram os cartões dos pensionistas, e os agentes da Polícia Federal, quando dão buscas, não conseguem recuperá-los.
Marta Benites, uma índia calada e triste, diz que os caiovás são passados para trás também no item moradia. Com quatro filhos e marido fazendo bico a 7 reais por dia (quando os bicos aparecem), viu seu nome entre os aprovados para a casa própria. "Ela foi parar na mão de uma agente de saúde aqui da Baboró", reclama, na tapera 721. No fogão, não há brasa acesa, as panelas foram raspadas até o fundo na véspera. Uma de suas filhas, Viviane, 1 ano e 9 meses, tem vermes e está sob risco nutricional, mas não recebe remédio.
Apesar disso, o pediatra Zelik Trajber, coordenador da Funasa, garante: "Acompanhamos 95% das crianças". Segundo ele, há outros problemas: "Até o mês passado, acabava deslocando o meu pessoal para trabalhar em função de cestas básicas, o que tirava o foco da atividade principal, que é cuidar da saúde. A função caberá agora à Funai ( Fundação Nacional do Índio )".
Publicado em: julho 18, 2007
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