Com o advento de uma medicação efetiva para o tratamento conjunto da depressão e da disfunção erétil ( DE ) surgiu uma relação
complicada entre a causa e o efeito de ambos os ditúrbios. É sabido que a DE é um sintoma que acompanha casos mais ou menos severos de depressão, que quanto pior a depressão, mais provável a ocorrência de DE. Para colocar sal em uma ferida aberta, o uso de antidepressivos comuns, do tipo inibidor de reuso de serotonina seletiva(SSRI), tais como Paxil e Prozac, aumentam ainda mais a probalbilidade de uma DE complicar o quadro clínico de um paciente com depressão. Foi convincentemente demonstrado em estudos publicados no The Journal of the American Medical Association, na edição de 1 de Janeiro de 2002 que o Sildenafil ( Viagra ), um medicamento inibidor do tipo (PDE-5) era um antídoto efetivo para DE causada ou exarcebada pelo tratamento com SSRI, medido pelo incremento de ereção, ejaculação, orgasmo e satisfação geral. Na conclusão, o artigo sublinhava a importância de gerenciar os efeitos colaterais comuns do tratamento da DE com antídotos de PDE-5 para incrementar os resultados do tratamento com SSRI. Em um estudo mais recente, a relação entre depressão e disfunção erétil foi explorada mais profundamente. Na edição de janeiro do American Journal of Psichiatry, um artigo publicado comentava a melhora tanto da disfunção erétil como de depressão média com apenas o uso diário de Vardenafil, também um medicamento do tipo (PDE-5), como o Viagra. Em dois grupos paralelos, num estudo oculto, 280 homens com DE e depressão relativamente severa não tratada foram medicados com Vardenafil, para um grupo, e placebo para outro. Usando o Índice Internacional de Função Erétil e a Escala de Depressão de Hamilton, com 17 itens ( Ham-D ) como parâmetros, os grupos foram reavaliados a cada quatro semanas. Houve um progresso excelente em todos os grupos para os quais foi administrada a medicação, tanto para DE como para a depressão, quando comparados aos grupos para os quais foi administrado o placebo. Foi aventada a possibilidade de não haver um efeito direto da medicação sobre o cérebro, no que concerne à depressão, mas sim uma melhora decorrente do aumento da auto-estima provida por um melhor desempenho sexual, trazendo melhor qualidade de vida e mais dinâmica interpessoal. Esses dois estudos realçam a necessidade de um entendimento mais profundo das causas e efeitos da disfunção erétil, depressão e dos próprios medicamentos. Mais pesquisas, que utilizem um espectro maior de situações clínicas e prazos mais longos de tratamento vão indiscutivelmente pavimentar o caminho para um melhor entendimento das causas desses males e abrir o caminho para opções de tratamentos mais efetivas.
Dr. Luis J. Perez