O hipertireoidismo (pesquisa) – Sara Karine de Melo Oliveira Resumo de Lual
É uma síndrome clínica resultante dos efeitos teciduais de concentrações elevadas de hormônio tireóideano. Podem resultar de distúrbios tireóideanos intrínsecos, da estimulação excessiva pelo hormônio estimulador da tireóide (TSH) hipofisário ou substâncias de ação semelhante (imunoglobulinas ou gonadotrofina coriônica), da liberação hormonal aumentada pela destruição do tecido tireóideano nas tireoidites, da administração exógena intencional ou acidental de hormônios tireóideanos, da administração de iodo a pacientes com bócio (fenômeno de Jod-Basedow) ou da presença de tecido tireóideano ectópico (”struma ovari”).
O hormônio tireóideano exerce efeitos diretos sobre o coração, aumentando as contrações da actina e miosina, aumentando o ritmo cardíaco, contractilidade e aumentando a atividade da adenil-ciclase.
O hormônio tireóideano induz a vasodilatação periférica, conseqüentemente, os pacientes tem sudorese, expansão do volume sangüíneo, fluxo sangüíneo periférico aumentado, ritmo cardíaco rápido, aumento do débito cardíaco e aumento do consumo de oxigênio pelo miocárdio. O hormônio tireóideano tem poderosos efeitos cronotrópicos e inotrópicos positivos, conseqüentemente, a ejeção sistólica fica com até o dobro do volume, elevando a pressão sistólica, tornando o pulso rápido, o precórdio hiperdinâmico, e terceira bulha audível. Freqüentemente ouve-se um sopro de ejeção sistólica, pelo alto metabolismo e volume de sangue ejetado.
Os efeitos cardiovasculares parecem ser devidos aos efeitos combinados do hormônio tireideano e da estimulação simpática, porém este efeito leva a aumento do consumo de oxigênio pelo miocárdio, podendo causar angina pecturis e/ou insuficiência cardíaca congestiva, constituindo-se a “síndrome de alto débito”.
Nas pessoas idosas, a primeira, se não a única, manifestação do hipertireoidismo é a fibrilação atrial, cuja reversão ao ritmo sinusal esta condicionada ao controle do quadro tireóideano. A insuficiência cardíaca congestiva que acompanha o caso desenvolve-se rapidamente porque a freqüência alta dos ventrículos prejudica o enchimento diastólico e o desempenho cardíaco, já deficitário pela falta de contração atrial.
Sintomas do hiperteroidismo além dos cardiovasculares: nervosismo, insônia, transpiração excessiva, intolerância ao calor, fadiga fácil, fraqueza muscular, perda de peso, aumento do apetite, hiperdefecação (geralmente sem diarréia), sintomas oculares. A fácies é característica, com o paciente mostrando-se agitado, inquieto, com pele quente e úmida. O diagnóstico diferencial se faz com os distúrbios psicossomáticos, sendo que nestes últimos a pele apresenta sudorese fria.
Diagnóstico
A confirmação laboratorial do hipertireoidismo é feita pela medida no soro dos níveis de triiodotironina (T3) e tiroxina (T4), servindo, também, para estimar a gravidade do processo e planejamento terapêutico. Os limites superiores da normalidade (que podem variar dependendo do laboratório e do método de dosagem) são: 220 ng/dl para o T3 e 12,5 ug/dl para o T4. Quando existem possíveis causas de erro na avaliação do T4 total, como, por exemplo, na gravidez, procede-se à medida direta dos níveis de T4 livre (normal até 3,5 ug/dl) ou o cálculo do índice de tiroxina livre, que é o produto do T4 total pelo “T3 RU”.
Os exames radioisotópicos de captação de iodo radioativo e mapeamento da tireóide indicados para avaliação funcional de bócios uni ou multinodulares ou quando há suspeita de tireoidite ou hipertireoidismo factício, quando a captação reduzida ou ausente, ao contrário do que ocorre nos bócios difusos tóxicos em que há aumento na captação do material radioativo.
Tratamento
O hipertireoidismo deve ser controlado até que a causa possa ser eliminada, o que apenas raramente é possível, como nos casos de adenoma tóxico. A administração de medicamentos representa, portanto, a primeira ação no controle do hipertireoidismo. Utiliza-se as tionamidas, o propranolol e o iodo. Tionamidas - As tionamidas produzem um decréscimo na produção de hormônio tireóideano. O estado eutireóideano pode ser alcançado após 4 semanas do início do tratamento.
Tratamento cirúrgico - é bem seguro.
Digitálico - O digital contínua sendo o agente preferido para o controle do ritmo ventricular na fibrilação atrial do hipertireoidismo.
Acompanhamento
Ainda não existe um critério clínico ou laboratorial preciso para previsão de remissão do hipertireoidismo e suspensão do tratamento. O melhor critério é mantermos o tratamento por no mínimo 1 ano após atingir o quadro clínico e laboratorial eutireóideano.
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