O que pretendo analisar neste texto é a dimensão do “
Vazio” no início da criação. O estado primordial do caos é isento da “Luz”, ou seja, ainda não há a condição do espaço-tempo. O termo “Vazio” é certamente de difícil compreensão e, realmente a nossa mente não concebe entender de que dimensão se está falando. Nosso entendimento não intui esta dimensão porque nem é circular, plana e nem tridimensional. Não existe nesta condição a dimensão espacial. O termo “vazio” foge das dimensões da compreensão humana e nos deixa sem a possibilidade de exercer a intuição, definir a categoria e o conceito. O “vazio” certamente é algo ausente do tempo e fora de qualquer cogitação espacial. É necessário que se crie primordialmente o espaço-tempo relativo a fim de que se possa proporcionar a compreensão dessa dimensão. A ação criadora do Eterno somente terá sentido com o surgimento do campo
gravitacional espacial. O espaço-tempo primordial é a princípio uma dimensão pré-existente, e a matéria propriamente dita é uma criação que envolve o espaço-tempo relativo.
A maioria dos cientistas atuais concorda que o espaço-tempo é uma dimensão e concorda também que o espaço-tempo é curvo. Sendo assim, podemos definir o termo “vazio” como sendo algo sem definição espacial. No hebraico significa Haboru. O vazio é informação pura, mas não está relacionada a qualquer substância. O espaço-tempo é sem sombra de dúvida uma dualidade que surgirá na mente humana como uma idéia intuitiva. É preciso entender que as explicações lógicas das equações no campo da
geometria e da matemática, foram criadas inicialmente por Euclides e Pitágoras e surgiu a partir da intuição do espaço-tempo. “
Percebemos todas as coisas como dotadas de figura, dimensões (altura, largura, comprimento e profundidade), grandeza; ou seja, nós as percebemos como realidades espaciais”. O que importa é que nada pode ser percebido por nós se não possuir propriedades espaciais; por isso o espaço não é algo percebido, mas é o que permite haver percepção (percebemos lugares, posições, situações, mas não percebemos o próprio espaço). A razão de ser da realidade do espaço-tempo relativo será compreendida pela conciência racional humana.
A criação, a matéria propriamente dita, somente poderá existir com a condição do espaço-tempo relativo. A
teoria da
relatividade geral de Einstein (1915), que concorda com um grande número de experimentos, mostra que tempo e espaço estão intricadamente interligados. Vejamos, por que o Sol, a Lua e os planetas não têm forma piramidal? Por que não têm forma de um cubo ou de um quadrado? Por que não é uma figura plana bidimensional? Observe que toda a criação tem característica geométrica desde o seu ponto de singularidade. A teoria da relatividade geral incorpora o efeito da gravidade, afirmando que a distribuição de matéria e energia no universo deforma e distorce o espaço-tempo relativo fazendo com que o sistema planetário não seja plano, e sim curvo. Por isso o espaço-tempo relativo é curvo, e ao mesmo tempo possui uma dimensão quadridimensional. As estrelas e planetas se movem como que afetados por um campo gravitacional. Sendo assim, a partir desta realidade não podemos separar espaço-tempo de lei gravitacional: “Quando Ele preparava os céus, aí estava eu; quando traçava um círculo sobre a face do abismo” (Pv. 8.27).
Quero destacar que o termo “vazio” é diferente do termo
vácuo. O vácuo é um campo virtual onde se comportam as partículas fundamentais mais elementares. São elas que produzem as imagens e desenha a biodiversidade. Enquanto que o termo “vazio” é um estado de caos totalmente regressivo do espaço-tempo relativo. Não é um campo virtual como o vácuo. Essa dimensão caótica pode ser considerada como o ponto de maior singularidade de evento primordial, onde se encontra o que é de natureza aparente e de densidade quase infinita. “Não falei em segredo desde o princípio; desde o tempo em que “Aquilo” se fez, eu estava ali” (Is. 48.16). O“aquilo” é o que o autor desse texto chama de MPDQI – Massa Primordial de Densidade Quase Infinita. Essa massa primordial não possui ainda a constituição atômica que caracteriza a natureza da matéria. A razão compreende aquilo que possui estrutura geométrica espacial relativa. Não percebemos aquilo que é de natureza aparente. O que na realidade ainda não existia era fundamentalmente o espaço-tempo relativo. O “vazio”, portanto, é a inexistência do espaço-tempo relativo em relação ao nosso referencial. A nossa consciência racional foi criada para perceber a partir da cognição espacial, a existência cósmica do espaço-tempo relativo. Fora disso é preciso ter a experiência de um êxtase. A desagregação do corpo e da alma. Logo, o fim do espaço-tempo relativo é o fim da Física Clássica e da Mecânica Quântica. O fim é o retorno ao Ponto Caótico ou a dimensão da singularidade de eventos. Nós pensamos o que está na dimensão do espaço-tempo relativo e não somos ainda capazes de intuir o que existe na dimensão do espaço-tempo primordial. Intuir a realidade do estado primordial é desagregar-se do corpo com a experiência do êxtase. Os gregos negavam essa possibilidade, porém o apóstolo mais próximo do Messias experimentou. Disse João: “fui arrebatado ao paraíso, e ouvi palavras inefáveis, as quais não são lícitas ao homem referir”. Os modernos viam o espaço e o tempo como entidades absolutas. Já na teoria da relatividade de Einstein chega-se à conclusão de que o espaço-tempo além de serem interdependentes, é por sua vez uma dimensão relativa curva.
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