A exploração de combustíveis fósseis (carbono) que estavam ou estão armazenados há milhões de anos nessa condição, como o
petróleo, por exemplo, acaba por levá-lo, ao final do ciclo produtivo à atmosfera, o que já é destaque mundial há algum tempo. A partir desse ponto surge a questão do seqüestro do carbono pelo plantio de árvores na superfície terrestre. O problema fundamental desponta no fato de que o carbono dos combustíveis fósseis está se somando ao estoque de carbono que já cicla normalmente e mais rapidamente na biosfera, entre a atmosfera, o solo, a vegetação e os organismos vivos. No entanto, facilmente é notado que uma árvore completa seu ciclo de vida em 100 ou 200 anos no máximo, isso em um super-estimativa otimista, e que quando morre devolve à atmosfera ou ao solo o carbono seqüestrado. Então o carbono que estava estocado na árvore em compensação à utilização de um carbono previamente estocado na natureza há milhões de anos, volta à natureza e entra novamente no ciclo normal existente, aumentando as concentrações. Por uma questão matemática, esse modelo não fecha, basta notar que nesses casos, ter-se-ia que manter as árvores vivas por milhões de anos ou manter de outra forma o carbono por elas estocado, de modo que realmente seja equivalente ao carbono seqüestrado, que esteve por milhares de anos estocado e que não está ou estará mais. Pode-se ainda, por um raciocínio simples, admitir que mais árvores poderiam então ser plantadas, o que é obvio. Mas imagine o que pode acontecer, seria ótimo, mas não haveria área útil para tal finalidade. Portanto, para que as alterações climáticas causadas pelo aumento da concentração desse gás na atmosfera sejam amenizadas ou mesmo estancadas, deve-se usar um modelo que considere o tempo equivalente ao que o carbono fóssil esteve armazenado (milhões de anos), uma vez que as concentrações na atmosfera estarão sempre aumentando em longo prazo, independentemente do plantio de novas árvores, mesmo que essas, é claro, consigam amenizar a situação. Vale a pena refletir!