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AMOR: A Ciência explica-o...

por : Maria Arandas     

Autor : Lauren Slater
Afinal o que
é realmente o AMOR
? Como explicá-lo à luz da Ciência, assim como à PAIXÃO
e todas aquelas fantásticas sensações que saboreámos algum dia, todos aqueles feitos de que fomos capazes e desconhecíamos ter capacidade para tal? Há cientistas a estudar a bioquímica do amor e da paixão
.
Cada trabalho científico conhecido deixa-nos, tantas vezes, varados de espanto. Outros, em minha opinião, desorientam-nos, dando-nos uma desconfortável sensação de impotência perante as leis naturais que nos regem.
De acordo com dados de investigações recentes, em termos cerebrais, as substâncias químicas que intervêm no processo da PAIXÃO
são totalmente diferentes das que são responsáveis pelas RELAÇÕES AMOROSAS LONGAS! Vá lá a refazer a ideia: SE ESTÁS APAIXONADO, NÃO VAI DURAR MUITO!
Prepara-te para partir para outra!
Como se não bastasse, ainda foi determinada uma alucinante semelhança, em matéria de actividade cerebral, entre alguém APAIXONADO
e alguém com PERTURBAÇÕES OBSESSIVO-COMPULSIVAS! Desta vez, refazer a ideia, pode ser assim: SE ESTÁS APAIXONADO, ÉS UM LOUCO!
Evita que aconteça! De acordo com os manuais de Psiquiatria, uma Doença Obsessivo-Compulsiva (DOC
), é uma doença grave!
As conclusões basearam-se, também, em imagens de ressonância magnética
(RM
). Quando os indivíduos estudados que estavam apaixonados há apenas alguns meses, observavam uma imagem da pessoa amada, a RM indicava que tinham sido activadas as áreas tegmental ventral e núcleo caudado, ou seja, as áreas cerebrais associadas ao prazer.
BOM, JÁ SABEMOS ONDE ESTÁ LOCALIZADO O AMOR NO CÉREBRO!
Como no núcleo caudado reside uma rede de receptores de um neurotransmissor denominado DOPAMINA
, puderam estes fantástcos seres da Ciência dizer ao mundo que este é, nem mais, nem menos, do que um dos componentes da POÇÃO MÁGICA DO AMOR!
Mais : EXISTE DENTRO DE NÓS, COMPLETAMENTE GRÁTIS!
Este neurotransmissor é o responsável pela inquantificável energia de que nos sentimos possuídos, pela focalização da atenção num determinado alvo, pela busca quase incessante da recompensa. Escalar um arranha-céus é tarefa fácil para alguém com vertigens… desde que SEVERA E RECENTEMENTE APAIXONADO
!
O arrefecimento da paixão
tem a ver com a reacção cerebral ao súbito aumento dos níveis de dopamina. À semelhança, por exemplo, da dependência da cocaína, os neurónios necessitam de quantidades cada vez maiores da substância para atingirem os mesmos estados de euforia
. Bom, talvez seja bem pensada pela Natureza a protecção que nos dá em termos bioquímicos ao arrefecer a paixão: se o estado de apaixonado é equiparável a uma doença mental grave ou, ainda, ao estado induzido por certas drogas duras, não é difícil concluir os terríveis danos a que estaríamos sujeitos se a paixão fosse muito duradoura. Só mesmo a LOUCURA ETERNA
poderia dar seguimento à ETERNIDADE da dita! Quer parecer que tal não interessa, em termos genéticos, à continuidade da espécie, já que tais características de insanidade seriam transmitidas à descendência. Ou seja, a dado momento, loucos cuidariam de seres recém-nascidos indefesos (loucos)… e por aí adiante. Até dá suores pensar num tal futuro da HUMANIDADE!
As conclusões destes cientistas tiveram ainda como base um estudo sobre níveis de SEROTONINA
, um outro importante neurotransmissor, que se apresenta em NIVEIS BAIXOS
em indivíduos com DOC. Ao compararem os níveis de serotonina no sangue de:
- indivíduos com paixão recente, que pensavam no ser amado pelo menos 4 horas/dia(não é difícil, pois não?);
- indivíduos com DOC;
- indivíduos não apaixonados e não portadores de DOC (GRUPO DE CONTROLO);
 concluíram, estes estudiosos, que os níveis de serotonina nos 2 primeiros casos eram cerca de 40% inferiores aos do grupo de controlo. Dito doutra maneira, O PERFIL BIOQUÍMICO DUM APAIXONADO E DUM PORTADOR DE DOENÇA OBSESSIVO-COMPULSIVA É DRASTICAMENTE SEMELHANTE! Animador, não é? Valha-nos ao menos o Prozac e outros psico-fármacos que tais, que permitem aumentar os níveis de serotonina. Também inibem a líbido, mas isso já é outra conversa que, desta vez, tem um TRATAMENTO AZUL. Mas diz-se que este prejudica alguns corações mais sensíveis
ENTÃO, AMAR OU NÃO AMAR, PODE SER UMA SÉRIA OU MESMO ARRISCADA QUESTÃO?
 
Publicado em: outubro 18, 2007

Comentários sobre AMOR: A Ciência explica-o...

Showing 3 out of 3   Adicione seu comentário.
  1. 0 Avaliações quinta-feira, 18 de outubro de 2007
    1

    Jose Manuel Goncalves

    Muito bem escrito

    Fiquei com vontade de me apaixonar pela autora!!!!

  2. 0 Avaliações sexta-feira, 19 de outubro de 2007
    2

    Olga Miranda Cunha

    Boa questão!

    Sabe que mesmo sem saber da componente bioquìmica eu já suspeitava de qualquer coisa no género? O rigor que a ciência impõe e você lembrou, servem apenas para aumentar o risco, quero dizer, aumentar o "GOSTO" pelo estado de apaixonado. Obrigada, dopamina!

  3. 0 Avaliações sexta-feira, 19 de outubro de 2007
    3

    Aníbal Castro

    Corações seníveis!

    Se não me engano, já há pílulas brancas para os corações sensíveis. Enquanto pudermos, vamos pel via grátis como é sugerido. Amar é BOM, MUITO BOM! Se é = LOUCURA, que se dabe!

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