Niels Pflaeging, consultor alemão radicado no Brasil há seis anos defende em sua entrevista que o
planejamento orçamentário
pode e precisa ser eliminado das empresas, abrindo assim espaço para uma melhor gestão, mais adaptável, de menor custo e criando organizações mais éticas. Para Niels, na gestão sem orçamentos não existe alocar recursos e nem incentivos de gastar por gastar, mas sim a responsabilidade pelos resultados e por um conjunto de indicadores operacionais e de eficiência. A idéia é manter a sensibilidade, manter a discussão e a observação sobre os cenários propostos, e mudar, sempre que for preciso. Quando a área demanda algum tipo de previsão, como compra de materiais e
planejamento de produção, este planejamento deve ser de um, dois ou três meses. Faz-se um plano operacional, que deve se restringir ao absolutamente necessário. Niels reconhece que uma gestão sem orçamentos possa resultar numa perda de
controle. Por outro lado, reconhece que a perda de controle é exatamente uma das características fundamentais da atual gestão orçamentária. A gestão orçamentária fornece através dos seus números aparentemente sólidos, uma ilusão de controle. Após adotarem o Beyond Budgeting, muitos gestores aprederam que os novos processos fornecem controles muito melhores, mais variados e atualizados do que a gestão orçamentária que praticavam anteriormente. Hoje, nas organizações, planejamento e controle orçamentário, estão longe de funcionar perfeitamente. Com a suspensão dessas práticas, melhorias são possíveis em pouco tempo. Os primeiros resultados podem ser visíveis em algumas semanas. Na prática a mudança da gestão orçamentária para "além do orçamento" não é viável no curto prazo.