A reforma psiquiatra teve início no Brasil em São Paulo a partir de 1987, por meio das instituições CAPS (Centro de Atenção
Psicossocial) na própria capital e o NAPS (Núcleo de Atenção Psicossocial) na cidade Santos. Como essas experiências apresentaram resultados satisfatórios, o Ministério da Saúde deu seguimento à política de saúde mental com a lei 10.216, disseminando CAPS a nível nacional, chegando a 255 instituições em 2001. Atualmente estes serviços substitutivos continuam em implantação, existindo uma carência elevada de
profissionais qualificados para atuar nessa área. Os CAPS foram criados para proteger, resguardar e ampliar os direitos de cidadania de todas as pessoas acometidas de transtornos mentais, por meio de uma equipe multidisciplinar e ao mesmo tempo reduzir os leitos psiquiátricos do país. Desse modo, a equipe deve estar bem qualificada para proporcionar uma variedade de serviços terapêuticos para todos os usuários da instituição. Além dos serviços terapêuticos, os CAPS oferecem alimentação 03 vezes ao dia e proporcionam prevenção de nova incidência, buscando a integração dos usuários no seu meio de convivência. A investigação desta pesquisa teve a finalidade de fazer o levantamento das estratégias na qualificação dos profissionais para atuação nos novos modelos de tratamentos de saúde mental em Aracaju.
A pesquisa foi realizada com profissionais de todos os CAPS de Aracaju – SE, área delimitada para os estudos. Para obter o discurso dos profissionais, sujeitos da pesquisa foram entrevistados por uma única vez, psicólogos, psiquiatras, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, educadores físicos, auxiliares de enfermagem, enfermeiros e oficineiros dos CAPS pesquisados. As entrevistas foram semi-abertas com utilização de um roteiro prévio. Todas as entrevistas foram gravadas e transcritas literalmente para o trabalho analítico. A primeira etapa do procedimento dessa análise correspondeu à “desmontagem“ da fala dos profissionais entrevistados, separando-se e reagrupando-se os trechos de cada uma das falas, considerando os temas pesquisados durante a entrevista: perfil dos funcionários na instituição; prestação de serviços; formação profissional; direcionamento do trabalho; função; tarefas e atividades desenvolvidas; capacitação profissional; adequação do trabalho ao projeto; trabalho com recursos lúdicos, artísticos e brincadeiras; estruturação da equipe; manutenção da instituição; e os melhoramentos dos serviços em CAPS. Na segunda etapa são analisados os trechos separados e re-agrupados, considerando as recorrências e diferenças no que se refere aos aspectos acima mencionados.
Os resultados obtidos para os novos modelos de tratamentos em saúde mental são desafios contemporâneos, onde a estratégia aplicada por profissionais qualificados pode proporcionar resultados significativos no envolvimento entre pacientes, família e comunidade, promovendo reintegração social dos usuários. Contudo a gestão dos recursos humanos dos serviços substitutivos em Aracaju, no que tange à captação, preparação e acompanhamento do desempenho de profissionais, mostra-se ineficiente e desconectada do modelo proposto na política de saúde mental. Para que estes serviços apresentem resultados satisfatórios é preciso que o profissional atuante na área se identifique com a proposta do serviço, sendo qualificado antes mesmo de iniciar seus trabalhos, deve receber formação continuada, receber cuidados psicológicos, ser reconhecido (com incentivos sempre que necessário), trabalhar em equipe (desde o porteiro ao coordenador). Dentro dessa perspectiva, as autoridades da esfera competente junto aos Recursos Humanos, deveriam analisar e identificar com mais seriedades os profissionais que poderão ser ingressados na área de saúde mental. Portanto, do modo que estão depositando os profissionais ficam expostos a maiores riscos de ser mais um a fazer parte dessa comunidade tão discriminada.
Concluiu-se que a equipe deve ser formada por umquantitativo profissional que possa desempenhar as funções dos CAPS, NAPS, RT, ambulatórios e outros, com eficiência e eficácia, diferente da realidade atual. Essa atividade demonstra ao meio social que tudo na vida tem limites, regras em que estimula discussões e trocas de informações ajudando-as estabelecer clima de confiança e partilha entre todos. Assim fica compreendido que o trabalho precisa ser desempenhado em equipe para proporcionar responsabilidade e comprometimento com igualdade para todos através da sinergia. Desse modo, espera-se que os gestores das esferas competentes tomem consciência de que esta terapêutica é progressiva e continuada, e não deixem ser apenas mais um serviço. Logo, a concepção do trabalho dos profissionais desses novos modelos, torna-se caracterizado pela reprodução fixa de conhecimentos adquiridos e a prática habitual que possa ser aplicada na manutenção do cotidiano. A promoção desse tratamento deverá ser constituída por profissionais capacitados que demonstrem aos usuários o valor pessoal e social, nos quais aceitem a reconquista psicológica e sejam reinseridos socialmente.