Diz-se que tem sorte a criança que nasce em
um domingo. Para as crianças do orfanato, contudo, a criança de domingo é aquela que sai para passear com casais que procuram filhos adotivos. Se tudo ocorre bem, a criança passa alguns meses em ensaio de família antes de ser legalmente adotada. Todos esperam ansiosamente serem crianças de domingo. Crianças de sorte que terão um pai e
uma mãe, enfim!
A personagem da história reparte seu quarto com a amiga Andréa, que é uma
menina de domingo. No orfanato, aos domingos, restam somente ela e um menino gago, Karli.
Um dia, contudo, irmã Francisca a chama e informa que ela será, também, uma criança de domingo. Cheia de alegria, ela imagina a semana inteira seus novos pais, que terão certamente uma bela casa, um carro, e a levarão para passeios maravilhosos.
No domingo, contudo, aparece uma mulher pequena, feia, de cabelos curtos como os de um rapaz, sozinha e leva a menina, de metrô, para seu pequeno apartamento. A mulher chama-se Ulla e escreve livros para crianças.
A menina volta ao orfanato e não conta a ninguém que sua mamãe é solteira e pobre. Aos poucos, começa a afeiçoar-se e espera ansiosamente pelos domingos, entendendo que o conforto e o dinheiro não fazem falta, que a companhia e o respeito são mais importantes.
Ulla tem um namorado, Christian. Certo domingo, eles levam também Karli, e a menina fica muito enciumada. Será que eles a trocarão pelo bobo do Karli, que nem fala direito?
Certo fim de semana, ela fica sozinha. Irmã Lydia lhe informa que Ulla não virá nesse domingo, sem lhe dizer o motivo. A menina sente-se muito mal. Pensa ter sido abandonada.
Durante a semana, ela e Karli são informados que serão, os dois, adotados pelo casal.
Há o encontro dos quatro, para decidirem como farão as adaptações necessárias para a adoção.
A menina não se importa mais de que Karli fique também com o casal. Ele será seu irmão adotivo. E o garoto, para espanto de todos, fala, ela primeira vez, uma frase inteira, sem gaguejar!
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