Jeruza vivia com sua família na beira do Coxim. Até que os peixes, mortos pelos venenos que os agricultores punham nas plantações, ficaram cada vez mais raros e eles tiveram de mudar para a cidade. Tia Anja conseguiu, para a mãe de Jeruza,
um emprego na casa dos Fernandes e disse que a menina poderia ir junto com sua mãe para o trabalho. No outro dia saíram cedo e no caminho Jerusa ficou encantada com as novidades da cidade grande. Ficou combinado que a mãe de Jerusa começaria a trabalhar naquele dia mesmo e Dona Margarida Fernandes mostrou-lhe o
banheiro para que trocasse de roupa. Entraram, Jerusa e sua mãe. A menina ficou espantada. Viu que sua mãe, ao fechar a
porta, mexeu em um “negocinho” que fez “trec” e a porta permaneceu trancada. Logo após, a mãe mexeu em um tubo de metal fundido com um orifício na ponta que, girando a chave para a esquerda ficava desobstruído o tubo e saía água. Mas Jeruza assustou-se mesmo foi com o vaso sanitário, pois pensou que sua mãe estivesse fazendo xixi em uma cadeira. As duas saíram do banheiro e Jeruza não conseguia esquecer o que tinha visto lá. Quando sua mãe se distraiu conversando com Dona Margarida, Jeruza foi de mansinho até o banheiro. Mexeu no “negocinho” e trancou a porta. Aproximou-se da torneira, virou para um lado, estava dura, para o outro, a água jorrou. Conforme ia saindo, a água ia esquentando cada vez mais. E Jeruza não sabia desligar a torneira. Começou a chorar. Batiam na porta e ela não sabia abrir. O banheiro já estava tomado de fumaça e respingos de água quente quando alguém do lado de fora fez “trec” e abriu a porta.Jeruza correu para abraçar a mãe, pedindo desculpas, pois não sabia que a torneira podia ser assim tão brava.
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