Este livro apresenta duas
visões do Caminho: A VISÃO FEMININA contida neste resumo e a
VISÃO MASCULINA – Vengas, Vengas de Eduardo Villas (outro resumo).
Magda von Brixen estava em transformação,
precisava de mudanças. Era uma executiva publicitária bem sucedida e há alguns anos cuidava também da mente e espírito. Sabia que estava com excesso de compromissos mas não tinha
coragem de largar o que lhe proporcionava conforto e segurança.
Então a vida fez a mudança por ela, como acontece sempre que a gente se esquiva de encarar o desconhecido. Viu-se de uma
hora para outra sem a segurança do emprego e ficou feliz se sentindo livre. Com medo de acabar assumindo outro cargo estafante em qualquer empresa e voltar a vida anterior, comentou com Ana Sharp(que ajudou Shirley MacLaine no Caminho de Santiago), sua terapeuta, que sugeriu ser uma boa hora para fazer o Caminho de Santiago.
Nos momentos em que a pessoa está se redefinindo, o Caminho responde, ilumina e transforma. Ela aceitou a sugestão e rumou ao desconhecido.
O Caminho de Santiago é uma versão condensada da vida. Espelha o que você é, ou seja, O QUE VOCÊ TEM DENTRO É EXATAMENTE O QUE VOCÊ ENCONTRA FORA. Para Magda já acostumada a uma visão holística da vida, o Caminho foi denso em intuições e associações.
Nos primeiros passos, uma raposa dourada cruzou seu caminho. Bom presságio.
Na primeira meia hora já achou seu cajado(alguns resistem a usar, mas cedo ou tarde todos acabam aderindo a esse apoio fundamental).
Nos primeiros 30 Km já tinha uma
bolha no pé. Teve oportunidade de parar no próximo refúgio e dar descanso aos pés, mas continuou. Após 3 dias a bolha estava com início de infecção. Entrou no templo de Eunates no auge da dor, se emocionou e entregou não só os pés, mas a si mesma por inteiro a Deus. Difícil para ela acostumada a ter controle sobre tudo. No próximo abrigo tratou a bolha com iodo que emprestou de um peregrino. Um pouco depois teve a notícia de que esse peregrino teve que abandonar o Caminho por ordens médicas por causa das bolhas infeccionadas.
Foi sua primeira lição do Caminho sobre entrega de comando.
Certa vez se sentiu muito cansada antes de completar o percurso usual. Numa luta interna sobre as
metas que os homens criam para sofrer, seguiu sua intuição e parou. Foi recompensada com uma hospedagem especial com direito a banheira e sais minerais.
Uma lição sobre atender seus limites. Na ocasião em que se
encontrou com amigos no caminho e extrapolaram na comemoração fazendo uma algazarra e exagerando no vinho, acabou perdendo a bolsa com dinheiro e documentos. Só
percebeu no dia seguinte e teve que voltar 8 km e procurar intensamente. Encontrou e analisando a noite passada chegou a conclusão de que a
euforia e não alegria desviou sua atenção do
aqui e agora. Resolveu fazer o resto do Caminho mais centrada em si mesma e suas intuições. Ah! Terrível Foncebadón e os
famosos ataques dos cães. Já havia decidido não dar espaço ao medo e fazer o percurso sozinha.
Foi tranquilo, e ainda fotografou uma cadela branca e peluda amamentando o filhote.
Faltava pouco para chegar em Santiago e se pegou fazendo planos detalhados sobre a
chegada e partida para o Brasil. Percebeu que havia se desligado do Caminho e voltou a se harmonizar ao ambiente.
A CHEGADA EM SANTIAGO É APENAS UM RITUAL A CUMPRIR.
O QUE A PESSOA VEIO BUSCAR ELA ENCONTROU,OU NÃO, NO CAMINHO. MESMO ASSIM A CHEGADA É SEMPRE LAVADA EM LÁGRIMAS E AGRADECIMENTOS.
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