UMA VISITA ESTRANHA
Há uns anos a esta parte tenho vindo a verificar como, estando nós numa
sociedade considerada evoluída, a mentalidade dos homens não acompanha o progresso, palavra para a qual tudo tem cabimento. As teorias filosóficas têm-se sucedido, postas ou não em prática; o mesmo se passa com a economia, a política e mesmo com a sociedade.
Nos momentos mais conturbados da vida da Humanidade e mentalidade “regride” e, nalgumas sociedades, os rituais ancestrais ressurgem com uma intensidade crescente, sendo alguns mesmo maquiavélicos. Nesta época, de mudança de milénio, penso que estamos a atravessar mais um desses momentos.
Não tenho conhecimento profundo do que se passe pelo Mundo, em geral, mas, particularmente certos países menos desenvolvidos ou em processo de desenvolvimento económico ou financeiro, praticam certas “artes” como modo de vida e, quando se pretende denunciar certos factos que, muitas vezes, põem em risco a vida de seres humanos não existe legislação para tal. Deste modo, grandes somas de dinheiro são encaminhadas para actividades ilícitas e sem qualquer consistência real. Frequenta-se a cartomante para saber o futuro, para saber se está a ser traída ou conseguir um pretendente. São exemplos que, à primeira vista parecem ridículos mas existem. Basta passar uma vista de olhos por qualquer jornal e encontramos anúncios publicitando a possibilidade de resolução de todos problemas : financeiros, amorosos e muito mais. Não se põe em causa que nem tudo é uma forma fácil de ganhar dinheiro. Mas há casos que deixam muitas dúvidas. Falaram-me um dia de uma senhora que falava com os familiares que partiram da
pessoa que a quisesse consultar.
O caso interessou-me e fui à “
consulta”, com a indicação de que deveria ir cedo senão esperaria horas. Não
segui o conselho e tive a oportunidade de constatar que cada pessoa que entrava saía algum tempo depois, com um saco plástico. A minha curiosidade foi-se agudizando cada vez mais sem coragem para fazer qualquer pergunta.
Quando chegou a minha vez, entrei e uma senhora
mandou-me sentar numa cadeira a seu lado. Segui à risca as suas instruções e em pouco tempo a sua voz enrouqueceu e começou a falar de alguém da família que pedia que eu fizesse determinados rituais para se libertar do mundo terreno e seguir o caminho da luz. Ouvi atentamente e a voz voltou ao normal. Indicou-me vários
produtos, assim como o que deveria fazer com eles. No final, cobra quarenta euros e mais trinta pelos produtos. Sem mais mandou entrar outra pessoa. Cá fora perguntam-me quanto tinha pago e
conversa puxa conversa constatámos que a “receita” era sempre igual. Concluíram que “para se fazer estes trabalhos de elevação dos mortos”( citação) a senhora não podia cobrar nada pela consulta. Sem saber o que responder afastei-me apressadamente dali, interrogando-me sobre assuntos muito variados, nesta sociedade que se diz científica e evoluída. Será ?
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