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Shvoong Home>Livros>Discursos>Análise 7. Personagens em “Primeiras Estórias”

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Análise 7. Personagens em “Primeiras Estórias”

por : magnus2    

Autor : joão Guimarães Rosa

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Nenha - "a velhinha de história, de estória - velhíssima, a inacreditável", a Moça que é "a mais formosa criatura que jamais foi vista, que poderia ser a princesa no castelo, na torre" ("Nenhum, Nenhuma"), tio Man' Antônio ("Nada e a Nossa Condição"), "que podia ter sido o velho rei ou o príncipe mais moço, nas futuras estórias de fada", e muitas outras personagens, presentes nos outros contos, constituem sínteses das criaturas que povoam todo o livro.


Tais criaturas são os rústicos, os simples, os "de coração puro", como as crianças, os velhos, os loucos. Numa feliz expressão de Walnice Nogueira Galvão, trata-se de "seres em disponibilidade", isto é, que estão à margem do processo produtivo e conseqüentemente dos valores da "civilização" ou da "cultura" institucionalizada.


Disponíveis para cederem "ao encanto, à iluminação que transcende os conflitos" (Alfredo Bosi), estes seres pertencem a universos primitivos. alógicos, míticos e poéticos.


Trata-se de universos nos quais reina a magia dos contos de fadas, a sabedoria do sertão sem fIm, que faz com que a maldade do Demo seja vencida pela santidade dos desvalidos, dos esquecidos, dos ignorantes cuja cegueira em relação ao que se considera o saber humano, permite que se tomem videntes.


As personagens que povoam as Primeiras Estórias constituem. portanto, os agentes de revelações de ocultos caminhos, de indizíveis travessias, de impensáveis aprendizagens em direção ao sagrado, tematizado em cada página deste belíssimo livro.


Ao longo da obra, o tempo é o espaço se interpenetram e se combinam com a idéia de travessia, que como vimos é um de seus pilares temáticos.


Repleto de múltiplas veredas onde há encontros e desencontros, erros e acertos, enganos e desenganos, o sertão de povoados distantes e arraiais ignorados constitui o universo roseano por excelência.


Nele, que em relação ao mundo urbano está tão "em disponibilidade" quanto os seres que o povoam, pode acontecer a magia do "desmedido momento", do tempo sem início nem fim: um tempo que os relógios não medem, porque são prescindíveis. Um tempo mítico, primitivo e ancestral que é o tempo de antes do tempo, a pré-história (e por isso condição para que exista a estória) em relação à existência produtiva e submetida ao consumo e à alienação.


Trata-se enfim de uma espécie de idade de ouro, que funde passado, presente e futuro, mito e realidade, história e estória, tornando-se tempo de lenda, de fantasia, de manifestações poéticas encantadas e revivificadas, em seu fluir ininterrupto.



Referência bibliográfica


ROSA, João Guimarães. Primeiras Estórias. 15.ed..São Paulo: Editora Nova Fronteira, Impressão especial FDE-SP 2008


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Publicado em: julho 30, 2009
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