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Resumos e revisões curtas

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Shvoong Home>Livros>Contos & Novelas>O Silêncio - análise

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O Silêncio - análise

por : Chesh    

Autor : Chesh
Conto: O Silêncio
Autor: Sophia de Mello Breyner Andresen
Comentário:
São estes os efeitos mais contraditórios que o Silêncio pode causar no Homem: felicidade e desespero. Ao longo do conto, o Silêncio e a Solidão confundem-se, pois um pode implicar o outro, e vice-versa.O Silêncio pode ser um perfeito gerador de felicidade e alegria. O Silêncio e a solidão aspiram no Homem tranquilidade, paz e serenidade. Isto porque ele só tem ele próprio em quem confiar. Esta ideia é aparentemente vantajosa, pois quem em toda a vida se privou da sociedade em que vive não foi afectado pelos potenciais desgostos que dela advêm. No entanto, também se privou de uma das principais fontes de felicidade – a amizade. Essa pessoa nunca foi devidamente contrariada, levada à razão. Sempre que ela se encontrava em discórdia consigo mesma, acabava por chegar a um consenso que resulta apenas de um simulacro de uma discussão racional (perde toda a credibilidade pela sua incontestável parcialidade). É uma vida baseada em ideais que pouco ou nada se adequam à realidade, fundados nos limites da sua imaginação, que conduzem a alma dessa pessoa a uma paz interior com o universo que a sustenta tanto mais ingénua quanto mais manifesta.Por outro lado, temos o desespero. Este é uma consequência profunda daquele que se subjugou ao Silêncio da vida, pois ele tem consciência do caminho que decidiu seguir, ao privar-se conscientemente de uma faculdade intrínseca ao Homem de hoje – a Sociedade. Este choque emocional, que consiste na consciencialização da sua posição no mundo, carente de amizades e de momentos sociáveis marcantes, pode levar qualquer um ao desespero, a um sentimento de impotência perante a (dura) realidade que se lhe depara insistentemente, como sucedeu à mulher da rua. A sua mente conturbada está tremendamente possuída por ideias e vontades paradoxais, contraditórias e, portanto, tanto inconcretizáveis como irresolúveis. A tentativa de procurar arranjar um caminho que contorne a realidade e de se esquivar das leis da Física torna-se um imperativo cuja finalidade é apenas a de alcançar a tranquilidade da alma que há muito não experimenta essa sensação. Contudo, este apelo ao sobrenatural (o grito) como último recurso acaba por se verificar inútil para ela.Porém, não o é para os outros. O seu grito produziu um efeito (benéfico) na Joana – acordou-a. Neste sentido, um dos desejos da mulher desesperada foi concretizado.A solidão desta mulher é uma solidão fundamentada e consciente, pois ela já sentiu os desgostos daquilo que a Joana se privou inconscientemente, que é a Sociedade. É uma solidão que implica uma intensa experiência de vida, da qual fecunda, talvez, uma Razão estéril (sem propósitos).Assim, tal como o Silêncio nos pode proporcionar um consolo, um confortante recanto de bem-estar interior e, consequentemente, exterior, também ele é capaz de nos fazer sentir desesperados, à beira da desistência da vida. De igual modo, tal como o Silêncio pode constituir uma profunda e ingénua negação da realidade, também ele nos pode garantir um certo conformismo para com os infortúnios com que a vida nos bombardeia constantemente, de tal modo que se torna possível encararmos a vida com mais coerência e com a mesma brutalidade que ela nos encara.
Publicado em: setembro 13, 2005
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