O lanche do avião.
O avião decolou.
Havia entrado no avião
um sujeito chamou a atenção pelo seu tamanho, cerca de 2,10 mts de altura e mais um tanto de largura, segurando uma mochila de couro debaixo do braço, que parecia quentinha e cheirosa pelo aperto que levava e o local onde estava sendo protegida.
A grande dificuldade foi se assentar ao lado do senhor de idade, magro, de óculos lendo o jornal. O senhor de idade simplesmente sumiu imprensado e ignorado, de forma gentil pelo nosso inusitado viajante.
Não parecia um executivo, mas um mineiro, como contou depois, dizendo que estava na estação esperando o trem e de repente seu vizinho de estação disse: Vou comer um trem e volto já, guarde meu lugar. Deve ter comido mesmo, e exatamente o que ele iria pegar, pois o bicho não apareceu mais naquela noite e nem o seu vizinho de estação, talvez vitimado por uma forte dor de barriga, decorrente de uma indigestão.
Como estava indo para se casar e não podia atrasar, teve então que procurar outro recurso, e pelo avançar das horas só conseguiu passagem no corujão aéreo.
Lembro-me quando viajava a algum tempo atrás de avião, que a parte mais agradável da viagem, depois de contemplar as belíssimas aeromoças, era a degustação. Um verdadeiro banquete aéreo. Quando era orientado para abrir as mesinhas, via-se um sorriso em todos os rostos, e a indagação era: O que será servido hoje? Dava-se ao luxo de alguém dizer: Vou comer algo dietético, para não atrapalhar minha dieta. Mas raios, servir pão com salame é demais.
Lembro-me de um senhor que estava viajando pela primeira vez. Antes do serviço de bordo, era oferecida uma toalha de papel devidamente esterilizada para a higienização das mãos. Pelo aspecto da toalha, embrulhada e quentinha, ele pensou que era a entrada do menu, alguma espécie de tapioca, muito branca e lascou uma dentada na bicha. Quando olhou seu vizinho limpando as mãos com a dita cuja, ficou vermelho, roxo, azul e finalmente tirou a toalha da boca todo desorientado. O moço ao lado olhou para ele deu um sorriso amarelo, e ar de que havia compreendido o fato, pois também já havia passado por boas.
Quando deram ordem para abrir a mesinha para o serviço de bordo, o moço abriu sua mochila e começou a tirar vários alimentos e colocando sobre a mesinha de serviço. Cuscuz, Bolinho de queijo, frango caipira, Romeu e Julieta, (queijo fresco com goiabada), tutu, e outras guloseimas. O aroma começou a percorrer a aeronave, e as aeromoças que serviam pão com salame e pacotinho de amendoim, ficaram desconsertadas. Criou-se um verdadeiro pandemônio aéreo por causa do lanchinho do nosso irmãozinho mineiro. Um tremendo angu de caroço. Todos queriam provar dos quitutes do moço mineiro. E aí vinham as justificativas: Minha tia é mineira, meu avô, meu sobrinho. Finalmente o pobre rapaz teve que se contentar com uns quinze pãezinhos, servidos pela aeromoça, acompanhados de alguns litros de refrigerante. Acabando-se a fanfarra tudo voltou ao normal e passaram a tirar proveito de um descanso merecido, à mineira. Puro engano.
O menino começou a roncar, de passar a quarta marcha em lugar da segunda.
Ouviu-se um chiado, angustiante e foi-se ver que era o pobre senhor que estava ao lado, Estava em baixo do banco da frente, não porque queria, mas porque a pressão lateral, coisa de engenharia, havia ocasionado isto.
Finalmente a agonia acabou.
O avião aterrisou.
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