Sionésio
é um produtor de polvilho, que por piedade empregara Maria Exita. Ela viera "feiosinha, magra, historiada de desgraças" para a plantação.
De mãe leviana, pai leproso e irmãos assassinos, faz a pior parte do serviço: partir o polvilho nas lajes. No entanto, "não parecia padecer, antes tirar segurança e folguedo, do triste, sinistro polvilho, portentoso".
não consegue tirá-Ia da cabeça: apaixona-se por sua beleza, pela imensidão de seu olhar, pela doçura de seu sorriso, "artes como um descer de anjos".
Por causa dela, passa a freqüentar as festas. "Não que dançasse; desgostava-o aquilo, a folgazarra. Ficava de lá, de olhos postos em, feito o urubu tomador de conta".
Mas "ela é diferente", ninguém ã quer de medo da doença do pai, da má vida da mãe, da violência dos irmãos. "Nela homem nenhum tocava."
Perturbado pelos mesmos motivos, Sionés'io divide-se entre a "consumição de paixão" e o medo. Mas era "o exato, o grande, o repentino amor-o acima".
Ele enfim a procura no trabalho, e a claridade do polvilho - "solar e estranho < ... > o polvilho, coisa sem fim", testemunha o que se dá entre ambos: "o não-fato, o não-tempo, silêncio em sua imaginação. Só o um-e-outra, um em-si juntos, o viver em ponto sem parar, coraçãomente: pensa-mento, pensamor. Alvor. Avançaram, parados, dentro da luz, como se fosse no dia de Todos os Pássaros".
Referência bibliográfica
ROSA, João Guimarães. Primeiras Estórias. 15.ed..São Paulo: Editora Nova Fronteira, Impressão especial FDE-SP 2008. p..205-212.