Um menino viaja de avião com os tios para visitar a casa deles, que ficava "no lugar onde se construía a grande cidade" (referência
à construção deBrasília). "Era uma viagem inventada no feliz; para ele, produzia-se em caso de sonho."
Com este estado de espírito, chega "num semi-ermo, no chapadão" Apaixona-se por um peru imperial, que vê no quintal. "Tinha qualquer coisa de calor, poder e flor, um transbordamento." Depois, no sítio do Ipê, continua maravilhado com a natureza: suas plantas e bichos encantados.
Na volta do sítio, toma conhecimento da morte do peru, para os festejos do aniversário do tio. Então o menino começa a sofrer, percebendo que "Tudo perdia a eternidade e a certeza; num lufo, num átimo, da gente as mais belas coisas se roubavam". O corte de uma árvore, para a construção de um aeroporto, aumenta-lhe o choque.
Descobre então outro peru, ferozmente querendo devorar a cabeça degolada do primeiro. "O Menino não entendia. A mata, as mais negras árvores, eram um montão demais; o mundo. Trevava".
Mas no meio das trevas da noite um vaga-lume alumia de novo o coração do menino, piscando a sua luzinha verde "um instante só, alto, distante, indose. Era, outra vez em quando, a Alegria".
Entre as margens da alegria, a história tematiza a descoberta da dor pela perda, pela morte, pelo incompreensível.
Referência bibliográfica
ROSA, João Guimarães. Primeiras Estórias. 15.ed..São Paulo: Editora Nova Fronteira, Impressão especial FDE-SP 2008. p.49-55..