Publicadas em 1996 as crônicas de Bonassi são como um corte de navalha. As histórias contadas são duras, claustrofóbicas,
desesperadas e sem clemência. Pode-se sentir a clarividência de um observador com olhar clínico. Os horrores da
cidade ganham dimensões conhecidas, os problemas da selva de concreto são expostos de maneira sensível explorando o que há de comum nas situações encontradas nas metrópoles (mesmo com São Paulo como foco). A violência, as relações humanas que se desgatam, que perdem seu sentido, e o incômodo registro fotográfico formam um painel sufocante das asperezas, das dores, dos desejos urbanos.Amores trágicos, violência policial, prostituição e abuso infantil, a angústia repentina, a solidão, o choque das descobertas, das humilhações tornam-se um conjunto que pertuba criando um documento que mistura todas as sensações, alcançando o clímax com destreza, gerando
pavor e entusiasmo na medida exata. Fernando Bonassi, rpteirista de "Os Matadores" do cineasta Beto Brant, capta o medo e a esperança que povoam a cidade para nos impressionar, nos horrorizar com o nosso próprio desconhecimento sobre algumas coisas e pavor diário de outras. A certeza que nos envolve, com toda a contundência das breves crônicas, é que: é impossível permanecer indiferente.