O barulho das ondas fez com que Luis emergisse dos seus
pensamentos sombrios.
O contraste daquele dia ensolarado com
o seu fúnebre estado de espírito o faz sentir-se deslocado naquele ambiente de côr e alegria.
Há horas, permanece sentado na areia com um único pensamento...Helena.
Quando estavam entre amigos, por várias vezes, se via alheio a conversa, perdido no sorriso de Helena, hipnotizado por seus gestos delicados ao colocar no lugar algum cacho em desalinho.Helena falando,comendo....ela era a vida de Luis.
Repentinamente, uma grave ruga de expressão vinca seu rosto com uma terrível lembrança.
Como ela pôde entregar a outro homem os sorrisos que eram dele?
Por vários dias Luis ficou à espreita entre os arbustos floridos em frente a casa de Helena.
Mas,não colheu nenhum buquê para oferta-la e por vezes se surpreendia esmagando as flores enquanto assistia aos beijos
apaixonados do casal.
Imerso em seus
pensamentos, ele sente novamente em suas mãos, o frágil pescoço de Helena.
Não haverá mais sorrisos, nem beijos apaixonados no portão.
Luis é trazido à realidade quando a bola de uma criança toca seus pés na areia.
Ele se levanta e caminha lentamente na direção do mar.....adeus amor!