CONTOS.Policarpo
Quaresma, Clara dos Anjos, o homem que sabia javanês, bichos, feiras e
mafuás da tradição suburbana do Rio de Janeiro, a pintura de nossa
paisagem humana e social saltam das páginas dos textos de Lima Barreto
para o cotidiano do brasileiro, caracterizado por frouxos
limites entre
real e robusto, o trágico e
riso, ficção e razão. A arte de Pedro Paulo
Rangel conhece a sutileza desses limites e sua voz alcança o equilíbrio
do riso vazado de melancolia, da racionalidade contaminada pela
imaginação, das certezas que anunciam o fracasso. Lima Barreto
provoca-nos a reflexão sobre a difícil tarefa do artista e do
intelectual, e sua
palavra – que dogmática ou libertadora – pode
revelar o caráter bizarro, criativo ou opressor de nossa realidade.
Atirar como equilibrista entre os impasses da cultura brasileira
tornar-se o desafio para o intelectual porque a palavra é o delicado e
suspeito fio que os une.
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