• Registrar-se
  • ‎O que é o Shvoong?‎
  • Entrar
    Entrar
    Lembrar meu nome de usuário Esqueceu sua senha?

Resumos e revisões curtas

.

Shvoong Home>Livros>Contos & Novelas>Análise descritiva e analítica do conto "A Hora e a Vez de Augusto Matraga"

.

Análise descritiva e analítica do conto "A Hora e a Vez de Augusto Matraga"

por : BeteFekete    

Autor : João Guimarães Rosa
O conto, “A vez e a hora de Augusto Matraga”, estruturou-se conforme as situações vividas pelo protagonista, personagem de
costumes, que transita de uma existência pecaminosa para a santidade. Isso faz de Augusto Esteves uma personagem esférica. As demais personagens são funcionais, pois participam das situações que justificarão suas transformações. O protagonista simboliza a trajetória dos sujeitos que despertam para um novo viver, salientando-nos o contínuo processo dialético da existência humana: profano versus sagrado, pecaminoso versus santo. Além desse, o sistema ético-ideológico acentua a importância da honra para o sertanejo. Dessa forma, esse conto pode ser refletido de forma descritiva e analítica.
Descritivamente, houve uma diversificação de personagens, paisagens e contextos para desenvolver a trajetória do protagonista que se divide em três estágios. No primeiro deles, inicia-se a aventura a partir de um leilão não-convencional vinculado à Igreja, no Córrego do Murici, conduzido por Tião Leiloeiro, que ofertou duas prostitutas, Angélica e Sariema. Augusto tomou as mulheres das mãos do capiau, pelo prazer de roubar o desejo alheio e de se impor pela força. Pertencia a uma família poderosa, filho do Coronel Afonso Esteves, já falecido. Vivia ali com esposa e filha, Diónora e Mimita, que fugiram com Ovídio. Matraga, além de prepotente, tinha índole má e intimidava o povo com seus capangas. As mudanças começam quando Quim Recadeiro trouxera más notícias, que o levaram a uma quase morte, por ter sido surrado pelos seus antigos “bate-paus” e jogado num penhasco. Após ser socorrido por um casal negro, Serapião e Quitéria, recuperou-se e sob a tutela deles, recebeu a visita decisiva do Padre, que o fez refletir sobre sua vida, a qual, a partir de então, tomou novo impulso. No segundo estágio, numa cidade chamada Tombador, arrependido, muda sua personalidade, tornando-se pacifico e religioso. Continua morando com o casal que o salvou, isolando-se do mundo. Com eles passou a ter um contexto familiar, de docilidade e respeito mútuo. Nem as notícias trazidas por Tião da Tereza o fazem retroceder. Trabalhou muito. Tinha um contato harmonioso com a natureza, vivendo justamente em busca da “santidade”. Segue com empenho as orientações do sacerdote e serviu aos outros com amor. Todavia, vivia um conflito interior, que denunciava alguns desejos vingativos. Hospitaleiro, abrigou em sua casa, Joãozinho Bem-Bem, personagem antagônico, com seus capangas. O contato com aquele grupo foi uma grande prova, pois possuía todos seus defeitos anteriores. Foi um momento decisivo, pois o líder do grupo o convidou a se juntar ao bando. Porém, persistiu no intuito da santificação. Contudo, sedento pela sua “hora e vez”, saiu à procura da meta final. No terceiro estágio, montado num jumento, despediu-se de seus “pais adotivos” e saiu em busca de seu destino, até chegar na Vila de Rala-Coco, onde aconteceu o desfecho da trama. Reencontra-se com Joãozinho Bem-Bem e o capanga Juruminho, que foi morto. Por uma questão de “regra do sertão”, o líder tinha de fazer justiça e vingar a morte do companheiro. A família do velho que o assassinara estava aterrorizada e Augusto foi salvá-la. Foi nesse instante que provou sua “conversão”, defendendo o pai que tentava salvar seus filhos. Morre ambos oponentes e Augusto encontrou, finalmente, a sua paz. Nesta etapa descritiva, vimos que a narrativa se organizou em torno de oposições, os quais deram unidade ao corpo textual. No primeiro pólo temos a “tese”, fase da vida do protagonista marcada pela valentia e desrespeito as pessoas. Negando o primeiro, temos o pólo denominado “antítese”, marcada pelo período redentor. E, por fim, o pólo de afirmação, “síntese”, que unifica as duas características de sua personalidade, concretizando sua totalidade, ou seja, fase em que se torna um juiz bondoso e justo.
Analiticamente, constatamos que Rosa retrata o universo cultural do sertão nordestino em cinco aspectos. O primeiro, o sociológico, se refere a estrutura política do “coronelismo” que detém o poder e governa o destino das pessoas violentamente. Na obra, a família do Coronel Afonso e o bando do Joãozinho Bem-Bem eram exemplos dessas instituições sociais. O segundo, o imaginário religioso, temos uma certa ambigüidade ontológica: preceitos religiosos versus imoralidade. No conto, às pessoas corretas se foram após a reza, mas grande parte permaneceu para participar do leilão. Assim, a prática profana se sobressai. Daí a necessidade de recursos de disciplina espiritual. Por isso que Matraga apegou-se a religião como último recurso. A conversão e a penitência são caminhos da purificação, que possibilita ao sujeito aproximar-se da divindade. Sem essas, o homem não pode redimir-se. O elemento negativo da religiosidade, porém, firma-se na percepção dolorosa que o individuo tem da disciplina e dos atos religiosos, ou seja, para encontrar com Deus, deve renunciar aos prazeres mundanos. Assim, o encontro de Esteves com seu passado, constitui-se na mais terrível de todas as tentações. Já, o terceiro, os ético-ideológicos, principalmente, a noção de honra marca o caráter das personagens. Defender a honra é o mais relevante empreendimento do homem do sertão. Decorrente da desonra, surge outro aspecto: a vingança. Ambas estão entrelaçadas. Toda desonra exige uma vingança. Por fim, temos o conceito de pureza. Os desejos carnais são tidos como impuros e devem ser rejeitados. Por isso, depois de sua conversão, o protagonista não queria se aproximar das festas do povoado. Logo, o prazer está ligado ao pecado e, portanto, pureza consiste na negação desse prazer.
Publicado em: novembro 21, 2007
Avalie este resumo : 1 2 3 4 5

Adicione aos favoritos & envie aos amigos

.