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Semelhante aos deuses

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Autor : Theresa50
Review by : Theresa50
Visitas : 11  palavras: 600   Publicado em: abril 15, 2008

Semelhante aos deuses me pareces


Tu


E a tua voz, que me agita o coração.


Basta ver-te,


para que nem atine com o que diga,


para que a língua se torne inerte,


para que um fogo me arrepie a pele e


deixem de ver os meus olhos...


Pudesse eu não ter laços nem limites


para poder responder aos teus convites


suspensos na surpresa dos instantes!


Quem és tu que assim vens pela noite adiante,


pisando o luar branco dos caminhos,


sob o rumor das folhas inspiradas?


A perfeição nasce do eco dos teus passos


e a tua presença acorda a plenitude


a que as coisas tinham sido destinadas.


A história da noite é o gesto dos teus braços


quando me envolvem, o ardor do vento, a tua


juventude.


Conheci-te.


Disseste amar-me...


Irei beber a voz dessa promessa


E nela cumprirei todo o meu ser,


Porque tu


És a Primavera que eu esperava


A vida multiplicada


Em que é pleno e perfeito cada instante.


Sacode as nuvens que te poisam nos cabelos,


Sacode as aves que te levam o olhar,


Sacode os sonhos mais pesados do que as pedras


Porque eu cheguei


E é tempo de me veres,


Mesmo que os meus gestos te trespassem de solidão


Mesmo que a minha voz queime o ar que respiras.


Vem!


Param os meus olhos quando penso em ti.


Vem!


Chamo-te porque tudo está ainda no princípio


E suportar é o tempo mais comprido.


Peço-te que venhas e me dês a liberdade,


Que um só dos teus olhares me purifique.


Peço-te que sejas o presente.


Peço-te que invadas tudo.


E que o teu reino, antes do tempo, venha


E se derrame sobre a Terra


Em Primavera feroz precipitado.


Numa noite de mar e de amor,


Pelas tuas mãos medi o mundo


E na balança dos meus ombros


Pesei o ouro do sol e a palidez da lua.


A noite abre, também aqui, os seus ângulos de lua


E em todas as paredes te procuro.


A noite ergue as suas esquinas azuis


E em todas as esquinas te procuro.


A noite abre as suas praças solitárias


E todas as solidões eu te procuro.


Ao longo do rio, a noite acende as suas luzes


Roxas, verdes e azuis.


Eu te procuro.


Num deserto sem água


Numa noite sem lua


Num país sem nome


Ou numa terra nua


Por maior que seja o desespero


Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.


 




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