Aqueles que perceberam a disposição na atuação de Jodie Foster e Matthew McConaughy sabem que este livro é tudo. Mesmo assim, de certo modo, o filme fracassa ao tentar capturar o lirismo desta obra-prima de Carl Sagan. Tanto os leitores quanto os telespectadores provavelmente são conhecedores do “Cosmos” de Sagan, um trabalho que pode ser chamado de “poesia não-ficcional”. Pois toda a obra de Sagan possui
uma beleza poética. Ele foi um visionário para além do tempo – ele compreendia a beleza do universo pelas leis da física e o modo como tudo convergia para elas. E de como os seres humanos são parte deste vasto cenário, talvez os únicos para quem o cosmos existe.
Ele continua com esta idéia em “Contato”, apesar desta ser uma obra de ficção, mais especificamente, de “ficção científica”. Esta é uma ficção científica de gênero diferente – sem raios laser ou discos voadores, homenzinhos verdes ou “ilumine-me, Scottie”. Ela situa-se no nosso tempo, e não daqui a três séculos.
Eleanor (Ellie) Arroway é uma criança especial que conseguiu compreender o tempo quando tinha três anos. Sua mãe é compreensiva com ela, mas seu pai, Ted, foi quem estruturou sua personalidade. Quando Ted morre, um pedaço de Ellie parece morrer com ele. Com o intuito de tornar-se uma renomada Física, ela foca todos seus esforços para ser uma brilhante estudante. Surpreende-se por ter iniciado um relacionamento com Palmer Joss, um pregador da renovação cristã, cujos pontos-de-vistas religiosos são completamente diferentes da visão “lógica” que Ellie tem do mundo.
É quando ela descobre algo que pode abalar o mundo. Contatos com extraterrestres foram estabelecidos, e agora o mundo precisa preparar-se para algo inesperado. A jornada de Ellie universo à fora, assim como sua própria jornada interior, tem início aqui. Ela não apenas viajará pelas estrelas, mas aos mais profundos recantos de seu coração, de sua memória e de sua existência. Ela também precisa compreender a mensagem de Deus oculta na ordem do universo.
E a única coisa que faz sentido no vasto cosmo e em suas milhões de estrelas é a mensagem: “para criaturas tão diminutas que somos, a imensidão é suportável apenas através do amor”.
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