Em 1932, Aldous Huxley lançou "Admirável Mundo Novo", livro que se transformou em um clássico da literatura mundial. Na obra, ele projeta um cenário futuro com tudo controlado, organizado ao extremo, em que a reprodução é feita em laboratório e a população é mantida subserviente por modernas técnicas de manipulação, utilizando-se a genética, a hipnopedia (doutrinação durante o sono) e uma droga chamada Soma.
Em 1959, 27 anos depois, Huxley lançou "Regresso ao Admirável Mundo Novo", que analisa os avanços científicos que podem, no futuro, levar a uma tirania. O primeiro aspecto abordado no texto é o da superpopulação, que, na sua visão, levará a utilização cada vez maior dos recursos naturais. Desde 59, a população cresceu em bilhões, superando os seis bilhões, criando de fato esse problema (não por coincidência vivemos um risco de inflação dos produtos alimentícios).
Aliado ao problema da superpopulação, Huxley abordou, em um texto cheio de citações de estudos científicos, os avanços científicos que, utilizados em prol de um ditador, podem levar a uma redução das liberdades individuais. O texto carrega, obviamente, o problema de ter sido escrito num período de Guerra Fria, entre os Estados Unidos, uma democracia representativa, e a União Soviética, uma governo comunista centralizado. Esse embate terminou. Mesmo assim, é uma leitura interessante, ainda mais que o risco da superorganização, que descreve em "Admirável Mundo Novo", se mantém vivo.
O livro não chega a ser pessimista, mas faz um alerta de que precisamos sempre manter as nossas liberdades, jamais abrir mão de direitos (como muitas vezes nos pedem governantes, o mais das vezes em troca de segurança) e de nossa individualidade.
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