Antes de "Admirável
Mundo Novo" (de 1932,
escrito por Aldous Huxley) e
"1984" (1949, de George Orwell), um outro
livro, pouco conhecido do
grande público, explorou o tema que se tornou clássico nas obras de
Huxley e Orwell. Trata-se do livro "Nós", do russo Yevgeny Zamyatin,
escrito em 1921. O livro não está disponível em português - pelo menos
a busca em sebos e
livrarias não dá resultados positivos -, mas pode
ser encontrado em uma tradução para o inglês, em livrarias online como
a Barnes & Noble. É uma pena que não haja uma edição em português.
A história do livro se passa num distante futuro, com uma pequena
população que sobreviveu ao holocausto atômico. Em forma de diário,
escrito pelo protagonista D-503, "Nós" conta a história de uma
sociedade estruturada sob a lógica da matemática, com as pessoas
felizes, vivendo em casas de vidro, relacionando-se por intermédio de
cupons. O poder é centralizado, sob o comando do Grande Benfeitor.
D-503 vive encantado com a perfeição do seu mundo, faz comparações com
os absurdos cometidos nos séculos 19 e 20, enquanto trabalha para levar
as benesses do Estado Único a outros mundos.
Essa
vida tranqüila é sacudida quando D-503
conhece I-330, se apaixona
por ela e conhece um grupo de resistência que combate o Grande
Benfeitor. A partir dali, um atormenado D-503 trava uma luta interna,
cedendo ora à paixão ora à vida certinha do Estado Único. Nesta parte,
o livro guarda semelhanças com "1984", escrito anos mais tarde por
George Orwell. Menos sombrio o clássico de Orwell, "Nós" também é menos
apocalíptico, há esperança, no final das contas. É uma ótima leitura,
assim como "Admirável Mundo Novo" e "1984".
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