Absolutamente tudo tem pelo menos dois lados e essa pluralidade é, sem dúvida, o que faz com que os
momentos sejam únicos, inesperados, desafiadores e eternos.
Tudo tem o seu
lado bom e o ruim; o que seria do perdão se não existisse o pecado? Qual o sentido da vida sem a morte? Qual o comportamento de um macho sem uma fêmea? Qual a graça em ter um peru sem uma perereca? Qual a função do
desprezado anus senão a merda?
Já pensou trabalhar um ano inteiro sem tirar férias? Ou gozá-las sem viajar pelo menos até aquela praia fedorenta ou até a casa daquele parente distante caído do céu...
Mas mesmos as
viagens, por mais deslumbrantes que sejam, têm o seu lado negativo e provavelmente o mais comum seja a prisão de ventre... Que defeque no primeiro vaso aquele que nunca sofreu com isso. Acho que o fiofó, por viver escondido, sempre envolto no submundo do corpo humano tem lá suas manias e ansiedades...
Cu que se preze é genioso, cheio de
vontades e extravagâncias, ora se fechando em seus congestionamentos, ora praticando um flatulante buzinaço, ora com seus transbordamentos e na hora de expor-se num sanitário desconhecido bate aquela timidez, tal qual botão de camélia que tenta desabrochar no outono e resolve aguardar o inverno, nosso botão se retrai, se guarda, se preserva desconfiado, como se um enorme falo estivesse à espreita, aguardando aquele momento de fragilidade...
Mas nós, simples mortais, jamais saberemos como as coisas acontecem naquele ambiente
underground, tão misterioso que em determinados momentos, nem mesmo os pensamentos se atrevem a passar, não nos cabe tentar decifrar as vontades desse órgão tão desprezado, vilipendiado, lembrado somente nos momentos de ira, nas viagens e nas transas mais imaginativas...
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