Rebentaram gritos de criança no pátio de recreio da escola em frente e Elie soube que eram
dez menos um quarto. Algumas vezes, acontecia-lhe com uma impaciência próxima do mal-estar, ficar à espera daquela brutal dilaceração do ar pelas vozes de duzentos garotos, irrompendo das salas de aula em direcção ao recreio.
Naquele dia e pelo menos no que se referia aos últimos dez
minutos, Elie lembrava-se apenas do
arranhar da caneta no papel. Não ouvira passar o eletrico na esquina da rua. Devia ter passado pelo menos um, porque havia eletricos de cinco em cinco minutos. Mas ele nada ouvira, nem mesmo as idas e vindas da sua hospedeira e pusera-se agora a apurar o ouvido.