"Homem Comum", do norte-americano Philip Roth, é um
romance que parece prometer pouco, mas surpreende. O livro se aprofunda em questões sobre a morte, a fragilidade do corpo humano e sobre a banalidade da vida ao contar a história de um publicitário, sem nome no livro – o que dá a idéia de um homem comum, igual a milhares que habitam neste mundo, em jornadas na maior parte das vezes pouco memoráveis.
O irmão Howie, as três ex-mulheres, os dois filhos que o desprezam e a filha adorada Nancy entram e saem das páginas, assim como saem de sua vida e retornam ao seu convívio no dia-a-dia. As relações são difíceis, complexas e, por vezes, distantes. Ele está onipresente, todo o livro gira em torno dele. Mas nem sempre ele é quem define o rumo da sua vida, muitas vezes ele é refém dos seus desejos. Tal um homem comum, levado pelas circunstâncias.
O livro começo pelo enterro do protagonista. Lá estão alguns amigos e familiares. Pelos depoimentos no enterro, conhece-se um pouco dele, são palavras agradáveis sobre a sua infância. Depois, o leitor mergulha na vida dele, a começar pelo primeiro problema de saúde, ainda na adolescência, para operar uma hérnia. Quando adulto, ele larga a pintura para seguir a vida sem riscos de um publicitário, casa, descasa, casa, tem casos e, por fim, acaba sozinho em uma área residencial, no litoral, ocupada em sua maioria por aposentados.
Os problemas de doença o acompanham e, no final da vida, visitas ao hospital se tornam corriqueiras. Enquanto o corpo definha, ele mergulha no passado, relembra da vida, num relato em que Philip Roth mostra todo o seu talento. Não é história muito agradável, por vezes, mas Roth faz um belo relato sobre as limitações do homem, a vulnerabilidade do corpo e a certeza da morte.
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