O componente memorialístico do livro deve-se ao episódio marcante de vida de Raul Pompéia, pelo trauma
que lhe causou. Aos dez anos tornou-se aluno de um famoso internato carioca, o Colégio Abílio, cujo diretor, o Barão de Macaúbas, era conhecido por sua severidade e prepotência.
Assim, reconstruir as atrocidades cometidas nos bastidores do grande colégio da época, freqüentado pela fina flor da sociedade brasileira, criticar o sistema educativo do colégio, com suas punições, seu autoritarismo, o regime de hipocrisia e de espionagem instituído pelo diretor, constitui uma das fases da obra. Nela o Barão de Macaúbas transfigurou-se literalmente em Aristarco, diretor do Ateneu.
Quanto a Raul Pompéia, homem profundamente sensível, que se suicidou numa noite de Natal, aos 32 anos de idade, podemos dizer que se transfigurou literariamente em Sérgio, o adulto que narra em primeira pessoa, a sua própria história, desvendando as raízes de seu sentimento de solidão, de inadaptação, de incomunicabilidade com os seres humanos. Aqui aparece a outra fase do romance em que predomina a interiorização, a percepção psicológica fina e de e de caráter impressionista.
Ao lado de passagens naturalistas, em que Sérgio faz caricaturas de personagens e de cenas, vendo-os de fora, há outras de fina e sutil penetração psicológica, nas quais predominam as impressões de Sérgio, a invasão de sua subjetividade naquilo que vê por dentro, a partir de si mesmo. E assim, deformando o visto/vivido. Daí as características impressionistas, expressionistas e também simbolistas dessa obra rica e múltipla nos recursos estilísticos e também na profundidade existencial do tema que explorou.
A obra é belíssima indicado não somente para o conhecimento literário, mas também para outras áreas como PSICOLOGIA, PEDAGOGIA, SOCIOLOGIA, ANTROPOLOGIA, etc.