Sinopse
Anna acorda no hospital, querendo ver seu bebê, recém-nascido. Os médicos dizem
que esteve em coma há
quase três meses, sem nenhum sinal de gravidez. Ela jura
lembrar de ter dado entrada no hospital há dois dias, em trabalho de parto.
Descreve os acontecimentos anteriores, que coincidem com um famoso jogo em RPG,
chamado ‘Mother’s Troubles’. Nele, mães de aluguel são aliciadas por uma
fundação de fachada que trafica bebês, órgãos e drogas. O objetivo do jogo é
infiltrar um agente na organização e tentar desmontá-la. O codinome do agente é
Tom, coincidentemente (ou não?) o nome que Anna chamava enquanto delirava. Quem
era Anna? Existia algum bebê? Afinal, o que era verdade nessa história?
Prefácio
Anna acorda. Seus olhos gradativamente vão ficando acostumados à
luminosidade ambiente. Passados alguns momentos de confusão, começa a lembrar
de como havia ido parar ali. Uma
enfermeira entra no quarto.
- Acordada, graças a Deus! Como está se sentindo? – pergunta, surpresa em
encontrá-la desperta.
A resposta vem em forma de pergunta:
- Onde está o meu bebê?
A enfermeira faz uma cara de surpresa ainda maior o que a anterior.
- Espere só um pouco. Vou chamar seu médico. – e sai, apressadamente, sem
dar tempo a qualquer outra pergunta.
Alguns instantes depois, o Dr Roberto Cury vem ao seu encontro.
- Olá, Anna. Que bom vê-la finalmente acordada. Sabia que você voltaria.
Como você está se sentindo?
Anna estava desorientada, mas queria saber da criança.
- Quando vou ver meu bebê? Ele está bem? É menino ou menina?
- Acho que você está um pouco confusa. Descanse, falaremos mais tarde. – tentou
acalmá-la.
A resposta surtiu efeito contrário:
- O que aconteceu? Deu algo errado no parto? Onde está meu filho? - Gritou.
- Calma, Anna. Você precisa se acalmar...
- Não quero saber de calma, onde está o meu bebê? – Gritou novamente.
- Do que você se lembra?.
Ela estava quase fora de si.
- Como assim? Cheguei anteontem para ter meu filho!
O médico fez um sinal de calma com as mãos, aproximou-se e sentou na
cadeira ao lado da cama.
- Anna, você chegou aqui, no Memorial Santo Agostinho, há quase três
meses. Foi deixada na emergência, desacordada em uma cadeira de rodas. Estava
em coma desde então. Só conseguimos identificá-la pela carteira de motorista
que estava no bolso da sua jaqueta. – fez uma pausa, diante do olhar estupefato
da moça. E concluiu:
- E você não estava grávida.
- É mentira! Onde está meu filho? Eu quero meu bebê? O que vocês fizeram
com ele?
Com a ajuda da enfermeira, o Dr Cury conseguiu contê-la e ministrar um
sedativo. Mas já estava preocupado com o seu grau de perturbação. Após sair do
quarto, recomendou às enfermeiras que o mantivessem informado sobre qualquer
alteração no seu estado.
Na manhã seguinte, como fazia todos os dias, encaminhou-se para verificar
o estado dos seus pacientes, na ala norte. Ao sair do elevador, escutou gritos.
- Socorro! Alguém me ajude! Ele quer me matar!
Apressou o passo na direção da voz,
que vinha do quarto de Anna. Ao aproximar-se da porta quase foi jogado no chão
por um
enfermeiro que saía apressado, com as mãos nos bolsos do jaleco.
- Calma, rapaz! O que houve?
O enfermeiro parecia nervoso:
- Tentei medir a pressão, mas ela se agitou. Estava saindo para procurar
o médico. É o senhor? Desculpe, mas sou novo aqui. Ainda não conheço todos. –
explicou-se, tirando uma das mãos do bolso e recolocando-a em seguida. Anna
continuava gritando.
- Sou o responsável, sim. – disse o Dr. Cury, entrando no quarto para
acalmá-la.
- Ele tentou me matar! – Gritava, apontando por sobre os ombros do
médico, em direção à porta.
- Calma, Anna. Do que você está falando? – perguntou o médico. Ao olhar
para trás, percebeu que o enfermeiro não estava mais lá. Achou estranho, pois
não o havia dispensado.
- O enfermeiro! Eu conheço ele! Ele tentou me matar!
O médico, mais uma vez, tentou acalmá-la, quando a enfermeira entrou no
quarto:
- Deve ter sido um sonho, Anna. Procure relaxar. Você ainda está muito
fraca.
Anna estava em prantos:
- Você não entende! Eles me encontraram. Vão me matar e levar meu bebê!!
Eu fugi, mas me encontraram. Preciso sair daqui.
Foi a última coisa que disse antes de apagar novamente, sob efeito do
tranqüilizante aplicado através do soro. Ao sair do quarto, O Dr. Cury dirigiu-se
à enfermeira:
- Obrigado, Carmem. Ainda bem que você apareceu. O rapaz novo saiu sem
que eu o autorizasse. Depois peça para que ele vá à minha sala.
- Quem? – perguntou ela, intrigada.
- O enfermeiro novo, aquele com cara de árabe.
- O Senhor está brincando, não é, Doutor?
- E desde quando eu brinco com o meu trabalho? – retrucou, asperamente.
- Mas, Doutor Cury, não há nenhum enfermeiro novo, pelo menos neste
andar. Desculpe, mas eu demorei a chegar no quarto porque estava do outro lado
do andar, dando o remédio da Sra Antunes..
O doutor escutou em silêncio. Em seguida, foi direto para o telefone.
- Ligue-me com a polícia – pediu à telefonista.
-CONTINUA EM http://alexzappo.sites.uol.com.br.