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O longo poema Omeros (7549 versos, predominantemente em terza rima) deu status mundial ao poeta caribenho Derek
Walcott, com a outorga do prêmio Nobel de Literatura de 1992. É ambientado na ilha caribenha de Santa Lúcia (uma das Pequenas Antilhas), e pode-se dizer que há três personagens principais, se não se considerarem o próprio Derek Walcott e o mar do Caribe como sendo eles mesmos os protagonistas. São três descendentes de escravos negros do período da colonização, e têm nomes oriundos da Ilíada, de Homero. São eles: os pescadores Achille e Hector, amigos que se desentendem por uma questão comezinha, o que se agrava quando a bela Helen, a terceira personagem principal, deixa Achille para ir viver com Hector. Helen é a representação simbólica daquela outra Helena de Tróia, e que é descrita, dentre outras formas, através de uma violenta metáfora: “Mais homem sulca esse corpo que canoa sulca o mar” (Omeros, XXI, iii). São todos indivíduos transplantados em processo de fixação de raízes. Há metaforicamente três pequenas odisséias/diásporas em Omeros: a do pescador Achille, que retorna à aldeia africana dos seus antepassados, no Golfo de Benin – onde é censurado por seu pai, Afolabe, pela perda do seu nome africano e pelo esquecimento da fala da tribo –, numa alucinação causada pelos efeitos do excesso de sol; a dos Plunketts, que se auto-exilam na ilha que Dennis Plunkett considera ser o jardim do Éden antes da queda; e é também a odisséia do próprio Derek Walcott, que decide deambular pelos Estados Unidos e pela Europa (Livros Quarto e Quinto). Omeros é um símbolo de uma assimilação apropriativa em benefício desse ‘falar’ e desse ‘escrever’ (ou inscrever) manifestações culturais da pequena ilha antilhana de Santa Lúcia, e por extensão todo o Caribe, na cena global que se oferece na contemporaneidade.
Publicado em: novembro 01, 2009
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