SUSPIROS POÉTICOS E
SAUDADES –
Esse livro, cuja publicação se toma como o início "oficial" do Romantismo em nosso meio,
punha em prática a pregação em prol da reforma e nacionalização de nossas letras, iniciada naquele mesmo ano, e também em Paris, pela revista Niterói. No prefácio do livro Magalhães se exculpava de haver publicado anteriormente livro com cujas ideias já não estava de acordo, e criticava a invocação das "Musas do Hélicon" pelos poetas, como "se pudesse parecer belo quem achasse algum velho manto grego, e com ele se cobrisse". Em consequência, não invoca as Musas, mas o Anjo da Poesia, logo no poema inicial dos Suspiros, e procura escrever poesias resultantes não de fórmulas neoc1ássicas, factícias e gastas, mas "poesias d'alma, e do coração, e que só pela alma e o coração devem ser julgadas". A ambição de Magalhães não era só invocar, mas inovar segundo diretrizes religiosas e morais; dizia ele que "a Poesia, este aroma d'alma, deve de contínuo subir ao Senhor. ( ... ) O Poeta, empunhando a lira da Razão, cumpre-lhe vibrar as cordas eternas do Santo, do Justo, e do Belo". Por isso mesmo há historiadores da Literatura, como Ronald de Carvalho, que classificam Magalhães como poeta religioso. O grande mérito do livro está no impulso inicial que deu ao Romantismo, ficando o poeta conhecido como "o Lamartine Brasileiro", "o chefe da nossa escola nacional". Sua poesia, contudo, logo foi superada, parecendo flácida, incolor e dessorada em confronto com a da geração seguinte. Magalhães não tinha novidade de pensamento nem rasgos excepcionais de forma. Um dos poemas do livro, o "Napoleão. em Waterloo", ficou todavia como peça antológica, e é de fato o ápice do livro: nele situam-se os pródromos de nosso Condoreirismo, como já se acentuou.