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Shvoong Home>Livros>Poesia>A VISÃO DA MORTE EM MANUEL BANDEIRA

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A VISÃO DA MORTE EM MANUEL BANDEIRA

por : magnus2    

Autor : Francisco Rodrigues Júnior

A VISÃO DA MORTE EM  MANUEL  BANDEIRA
Poema I
Canção para a minha morte
Bem

que filho do Norte,
Não sou bravo nem forte.
Mas, como a vida amei,
Quero te amar, ó morte
- Minha morte, pesar
Que não te escolherei.
Do amor tive na vida
Quanto amor pode dar:
Amei, não sendo amado,
E sendo amado, amei.
Morte, em ti quero agora
Esquecer que na vida
Não fiz senão amar.
Sei que é grande maçada
Morrer, mas morrerei
- Quando fores servida -
Sem maiores saudades
Desta madrasta vida,
Que todavia amei.
 Poema II
Preparação para a morte 
A vida é um milagre.
Cada flor,
com sua forma, sua cor, seu aroma,
cada flor é um milagre.
Cada pássaro,
com sua plumagem, seu vôo, seu canto,
cada pássaro é um milagre.
O espaço, infinito,
o espaço é um milagre.
O tempo, infinito,
o tempo é um milagre.
A memória é um milagre.
A consciência é um milagre.
Tudo é milagre.
Tudo, menos a morte.
— Bendita a morte, que é o fim de todos os milagres.
    Em "Preparação para a Morte", in "Estrela da Vida Inteira", p. 257-9, Manuel 3andeira demonstra-se um poeta maduro. preparado para a morte e para o "aquém túmulo". Poeta moderno, como sabe, as suas poesias transcendem lirismos, capazes de revelar momentos de sua juventude. de seus amores. de suas decepções e. finalmente. de seu amadurecimento e espera da morte. Este comportamento lírico é próprio do ultra-romantismo, porque a morte é vista como algo “romântico”. 
     Os anos 30 e 4, do século XIX foram os anos da implantação e afirmação do Romantismo Brasileiro, sobretudo através da poesia. Assim, na década seguinte,percebemos que o movimento já consolidado vai tomando vários rumos com o  surgimento das tendências denominadas ultra-românticas, característica da 2º geração de poetas.
     O ultra-romantismo, também denominado de “satanismo”, “mal do século”, “byronianismo”, significou aprofundamento de traços românticos, tais como o subjetivismo, que se transforma em egocentrismo (o “eu” no cetro de tudo); o sentimentalismo que despenca para o pessimismo e a melancolia, o escapismo, que renega a vida e procura a morte como refúgio ideal.
Satã, (o demônio) símbolo dos valores mórbidos cultivados, tais como a loucura, a bebida, as drogas, como o ópio, o haxixe, o tédio (spleem), a insônia e, principalmente a tuberculose (chamada de tísica), doença considerada a mais “romântica”.    
    O poeta Manuel Bandeira, que faz parte da escola literária modernista, tentou cursar engenharia, mas a doença (a tuberculose), manifestando-se cedo, impediu-o de prosseguir os seus estudos.
Bandeira – já colhido pelo grupo da “semana” como um irmão mais velho (tinha 36 anos em 1922), que por sua vez terá recebido em exemplo de Mário e Oswald, um impulso para romper as amarras de sua formação otimista.
    A poética da libertinagem mantém-se viva em suas obras maduras, assim podemos observar que tanto no poema “Preparação para a Morte” , quanto no poema “Canção para a minha morte”, o autor ressalta o seu desejo de morrer, usando a morte como tema principal da sua poesia. A morte para ele é vista como uma fase “madura”, aceitação da velhice. 
 Em seus poemas contextualiza uma condição, 
    “Quanto amor pode dar: 
      Amei sem ser amado,
      E  sendo amado amei”
    O poema mostra uma vontade que o autor tem de morrer, e essa vontade desdobra-se em certeza e disjunção entre  vida e morte;e ainda mostra a morte como algo natural, que acontece a todos os homens na hora certa. 
   Referência bibliográfica:
PELLEGRINI, Ferreira Tânia. Português palavra e arte. 1. ed. São Paulo: Atual, 1996.
BOSI< Alfredo. A história concisa da Literatura Brasileira. São Paulo: Cultrix, 1994.


Publicado em: maio 03, 2009
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