Prêmio “1ª. Coletânea dos Contistas e Poetas do Milênio – 2001”, Aracaju-SE.
Um dia eles vieram de longe
Em suas caravelas possantes
E nos impressionaram.
Invadiram nossas terras,
Construíram grandes cidades
E nos expulsaram.
Porém,
Eles não
precisavam Nos
expulsar Da terra onde morávamos
De onde
nascemos Fazendo com que sofrêssemos
E como bicho nos escondessemos
Nestes rincões do país.
O Brasil é muito grande,
Ninguém precisa
negar.
Basta olhar nossas matas,
Navegar nossos rios
E explorar nosso mar.
Porém,
Eles não precisavam
Nos expulsar
Da terra onde nascemos,
Onde sempre vivemos
Sem dinheiro, sem roupa,
Mas com muita paz.
Pois quando aqui aportaram
Eles já nos
encontraram Espalhados nas matas
A criar nossos filhos
A pescar
A caçar
A cantar
E a dançar.
Entretanto,
Eles não precisavam
Nos expulsar
Pois quando aqui chegaram
Já nos encontraram
E habitaram esta terra
Que não era deles
Que não era de ninguém.
Aqui vivíamos unidos
Alegres
E
felizes Cultivando raízes
Plantando para comer
Lutando para
viver Descobrindo remédios
Para socorrer
Caboclo que adoecer.
Também a matar
Ou a morrer
Pra nossa tribo defender.
Portanto,
Eles não precisavam
Nos expulsar
Da terra onde nascemos,
Onde sempre vivemos.
Bastava-lhes viver por aí
Por onde bem quisessem
E nos deixar em paz
Em nossos cantos felizes
Porque nós nunca que iríamos
No canto deles os incomodarE isso ninguém pode negar!
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